terça-feira, 7 de julho de 2009

Migração na fronteira: aperto a partir de agosto

Em matéria assinada pelo colega Fermin Jara da redação local do Jornal ABC Color, o Brasil estaria pronto para dar o golpe de graça ao comércio de Ciudad del Este. Segundo o material, a partir de primeiro de agosto a Policia Federal brasileira vai aumentar o controle de todos os que entram e saem do País pela POnte Internacional da Amizade. Todos, segundo o texto, terão que tramitar "entrada" e "saída" não importa quantas vezes se atravesse a fronteira. Em parte na matéria, o colega cita empresários que acham que o anúncio vem como resposta ao pedido paraguaio de revisão do Tratado de Itaipu.


Comentário do Blog de Foz

Não há novidade. Tudo isso estava previsto. Em fevereiro de 2006 concersei com o então chefe da Delegacia de Migração da Polícia Federal no Paraná, delegado Igor Romário de Paula e ele anunciou que, se não me engano, a partir de junho daquele ano, todos os brasileiros iriam voltar a ter que "fazer saída" ao sair do País. Hoje, o brasileiro sai do país sem preencher nenhum documento. Isso nem sempre foi assim. Essa liberação de preencher um documento de saída foi criada no Governo do Presidente Fernando Collor. Antes disso, todos tínhamos que preencher um "cartão de saída" para irmos à Assunção, Caacupé, Buenos Aires, Posadas. Há mais tempo ainda, na época militar, a gente tinha que conseguir um visto de saída.

Escrevi sobre esse tema no meu blog Notas do Turismo. Como o material foi decentemente bom coloco aqui o link para uma postagem chamada Mudanças na Fronteira. Nela, o delegado Igor Romário de Paula, chefe da Delegacia de Migração para o Paraná, na época, me explicou bonitinho tudo o que estava acontecendo e anunciou algumas coisas que até o momento não recebeu a devida atenção da cidadania, da imprensa, das lideranças. Recomendo uma leitura do material. Tem novidade apesar de ser de fevereiro de 2006. Se ligue em uma informação para quem atravessa a ponte todos os dias e o travamento de uma máquina! Vê lá!


Bem tendo dito isso e ajudado a difundir a idéia de que tudo está previsto, e de que ninguém inventou a roda, acrescento que devemos aguardar para muito breve o anúncio de que o Paraguai também vai controlar quem entra no País de maneira mais eficaz. É só as obras da nova estrutura aduaneira-migratória ficarem prontas.

É o fim do Comércio de Ciudad del Este? Será o fim do turismo de Ciudad del Este? Desde 1995 venho acompanhando as discussões do que se chama "Produtos Turísticos Integrados do Mercosul" que criou alguns "pólos turísticos internacionais" dos quais o mais adiantado, apesar de tudo, é o "Pólo Turístico Internacional do Iguaçu" que inclui Foz do Iguaçu, Ciudad del Este, Puerto Franco, Hernandárias e Mingá Guazú (Paraguai) além da cidade e departamento de Puerto Iguazu (Argetina).

Esse Pólo significará agilidade nos processos migratórios de turistas. Hoje há muitos problemas com vistos. Tem turista que vem à Foz e não pode ir ver as Cataratas no lado argentino por falta de visto consular ou vice-versa. O Pólo significará que o turista que tiver entrado legalmente em um dos países membros do Pólo, pode circular livremente dentro do Pólo Internacional Turistico do Iguaçu. O Pólo terá limites. Por exemplo, o turista que estiver dentro do Pólo não poderá ir à Prainha de Santa Terezinha porque Santa Terezinha não está dentro do Pólo.

É aí onde entram as futuras bases de controle migratório nos limites do Pólo conhecidas pelo processo "afastamento das fronteiras". O Paraguai terá um controle no KM 14, a Argentina já tem um no KM 50 antes do Lago da Usina Hidrelétrica do Uruguaí e o Brasil terá uma estrutura perto do ou naquele prédio que os locais chamam de elefante branco na BR 277 que foi feito para ser o Portal de Foz (não confundir com o Portal da Foz, bairro). Vale a pena esperar para ver como terminará a novela daquele prédio do Governo Estadual.

É isso aí! Tudo está previsto. É mais fácil ajudar a acontecer! E não tem nada a ver com a revisão do Tratado de Itaipu! O Blog vai continuar acompanhando!

Um comentário:

Fábio disse...

O fato de "não haver novidade", de que "tudo isso já era previsto" e de que há precedentes não justificam em nada tamanha arbitrariedade. Aliás, Collor e regime militar? Ora, isso só deslegitima.

Que se dane o que esses delegados da PF falam. A PF e a RF trocam os delegados e agentes de lugar a cada um, dois anos, para que não criem laços com a comunidade - na justificativa de quem não criem laços com o crime, eles não criam laços com nada, não se apaixonam pela região, não a defendem, só obedecem, como corderinhos adestrados, as decisões da união.

Além do mais, turistas? Que mentalidade é essa, tão comum na região, de só enxergar "turistas"?

A Tríplice Fronteira deve ser considerada uma região aberta. Que governos, RF, PF, ANNP etc. reconheçam isso. Existem milhares de paraguaios em Foz, milhares de brasileiros nas cidades paraguaias e argentinas da Tríplice Fronteira. O dinheiro dos suor de cada um deles deve permitir-lhes adquirir quantas quinquilharias puderem, inclusive para revenderem na região.

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