quarta-feira, 3 de julho de 2013

A voz da fronteira: estava tudo indo tão bem. De repente ...

Lenha na fogueira: Jeffrey Sachs
Estou na fronteira Brasil / Paraguai / Argentina desde 1977. Nunca vi um clima tão confuso  na região desde então. Primeiro temos o pepino da suspensão do Paraguai do Mercosul e a inclusão da Venezuela no bloco.  Aguardo com muita expectativa e desespero a oportunidade para celebrar uma solução. Os diplomatas precisam, trabalhar e muito. Como se não bastasse, o economista neoliberal dos Estados Unidos Jeffrey Sachs cuja maior fama é ter aplicado a chamada "Doutrina do Choque"*  na Bolívia para baixar a inflação, tem andado em Assunção onde está pregando a participação do Fundo Monetário Internacional (FMI) na organização das contas da Itaipu no Paraguai. 

Sachs tem dito que a dívida de Itaipu de cerca de US$ 14 bi é muito grande e sugere ao Paraguai que peça além da participação do FMI, a criação de um novo Tratado de Itaipu. Ele sugere que os paraguaios façam isso sem enfrentamento com o Brasil. O assunto é de interese de todos pois segundo a conta dele a Itaipu já custou US$ 12 bilhões e ainda deve US$ 14 bi. Esse assunto vai pegar todo mundo porque todos trabalhamos com a possibilidade da Itaipu estar paga em 2023 quando termina o Tratado.    Ele diz que o Paraguai já tem direito a seus 50% de energia para vender no mercado internacional. 

Na área ambiental, abaixo do Trópico de Capricórnio, temos convivido sem a presença de grandes poluidores e grandes chaminés  O presidente Federico Franco, do Paraguai, defende a vinda da mineradora Rio Tinto para, acima de tudo, queimar a parte da energia da Itaipu que lhe corresponde e que sem dúvida trará uma nova fonte de poluição para a região até agora livre dela. Os argentinos que moram próximos da região onde a mineradora poderá se instalar já disseram que não querem. Mas o presidente Franco mandou a mensagem da soberania e que ele pode colocar a fábrica onde quiser. 

Porém a última novidade ou ingrediente no cenário sub-trópico capricorniano é o anúncio de que a província de Formosa, na Argentina,  poderá receber um reator atômico de 200 MW da versão CAREM (Central Argentina de Elementos Modulares) Ora, Formosa está ao lado de Assunção. O presidente do Paraguai já protestou dizendo que é incabível tolerar uma usina nuclear na érea do rio Paraguai. O governo de Formosa é a favor. O material para o protesto já está pronto.Esse cartaz vermelho e preto diz: Não à Fukushima de Formosa.
 

* Escrevi sobre a "Doutrina do Choque" aqui comentando um livro do mesmo nome da escritora canadense Naomi Klein.  

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