quinta-feira, 22 de maio de 2025

Registro 'bairronauta' das obras da Perimetral Norte

Registro fotográfico das obras da via Perimetral Leste que ligará as Pontes da Fraternidade (Brasil- Argentina) e da Integração (Brasi-Paraguai) à BR-277 em Foz do Iguaçu. Todas as fotos tiradas em navegação pela cidade em um Trike Reclinado Mobile 24 no dia 21 de maio de 2025.

Primeiro Trecho

Da Área Industrial do Morumbi até a ciclovia da BR-277, sentido Portal da Foz - Três Lagoas








Segundo Trecho



Ciclovia na BR- 277 sentido Três Lagoas






Perigo na ciclovia - problems no asfalto



Viaduto sobre a BR-277 sentido Foz do Iguaçu 

Placa dá boas vindas aos visitates informando o horário da visitação no Parque Nacional.


quinta-feira, 15 de maio de 2025

Dia 14 de maio - Me senti como nos velhos tempos (jornalismo de caçada)

Caçambada histórica


Fotografando as obras da Perimetral. A foto tirada pelas senhoras do Primeiro de Maio. Obrigado a elas!    

'bairronauta'

Ontem dia 14 de maio (2025) peguei meu Trike Mobile 24 - um triciclo reclinado e parti para registrar parte das grandes obras de Foz do Iguaçu. Desta vez o trecho da Perimetral Norte - a estrada que vai desviar todo o trânsito pesado do centro da cidade. São os caminhões que trazem toda a carga do Chile e Argentina via Ponte Tancredo Neves ou Ponte da Fraternidade e, logo mais, todo o trânsito que virá do Paraguai via Ponte da Integração, a nova ponte Brasil-Paraguai ou Paraguai-Brasil que une Foz do Iguaçu e Ciudad Presidente Franco. Gosto de pensar que une os bairros Tres Fronteras - Porto Meira.

Gostei de me ver aí, tirando fotos meio escondido, atrás de uma barreira, na encruzilhada de duas ruas-desvios, sentado confortavelmente em um meio de transporte ainda não classificado oficialmente pelas autoridades de trânsito. Vi muita gente rir ou sorrir ao ver-me aí camuflado achando que haviam descoberto meu esconderijo. 

O veículo é 100% à propulsão humana ou seja movido a pernas. Como na estrada, o veículo é o mais baixo que possa transitar, mais baixo do que ele só carrinho de bebê, é praxe em todo o mundo, que os usuários de trikes usem bandeiras coloridas para serem vistos. Daí é livre o uso de bandeiras, banners e flâmulas de todos as cores. É uma bela vista. Fiquei contente de ver meu circo no ar no esforço de continuar com minha vocação de divulgar coisas boas - porque as ruins já tem gente demais fazendo.

Quando digo "me sentindo como nos velhos tempos" me refiro à epoca em que na minha prática eu não pedia permissão a ninguém. Hoje, se confia muito na assessoria de imprensa e nos "releases" inclusive sem saber o significado e o conceito de "release" que é de material "liberado". Em inglês, os releases se chamam também de "handouts" que significa "esmola". Coloco aqui todas as fotos sem permissão tiradas na quarta-feira à tarde. Não fiz todo o trecho devido ao grande movimento de carros, caminhões e até ônibus de turismo.

Quando saí da região, voltei à Avenida República Argentina e entrei no bairro Primeiro de Maio em direção à Avenida Mario Filho. Antes de sair do 1º de maio, vi duas jovens senhoras conversando. De longe vi que elas tinham interceptado visualmente minha nave de longe e estavam com curiosidade. Mantive o curso na direção de onde elas estavam, parei ao lado delas. Dei boa tarde e disse: "Estou fazendo fotos das obras mas tenho um problema. Eu e minha "bicicleta" não aparecemos nas fotos. Se eu não apareço como posso provar que saí para fazer fotos?". Automaticamente, elas se prontificaram a fazer umas fotos. Só então elas elogiaram o triciclo: "Muito legal a sua bicicleta, Nunca tinha visto uma igual".    

As fotos:

Direção ao Trevo do Carimã

Direção a BR-277



Dá para ver a ponta de meu tênis pedalando 


Brincando com fogo

Quero-quero aproveitando os últimos dias de campo antes da ordem de "despejo" 

Área de desvio

Por baixo do viaduto se vê a direção da nova UNIMED


O espaço do CAMARGO resiste aos incômodos das obras

UNIMED e Balneários 


 Vi um brechó no Morumbi e parei nele. Vi uma calça laranja. Me pareceu ser interessante comprar a calça que é tão visível. Mas, no final era um moleton de criança. Expliquei sobre a minha necessidade de coisas coloridas para andar no trike. A dona Eva Aparecida de Oliveira, a proprietária, uma empreendedora, me disse que tinha duas blusas que ela estava terminando. Era uma blusa estilo casaco de frio e uniforme. Ela me mostrou uma. Nas costas ela tinha costurado uma daquelas fitas brancas que brilham no escuro. Era pequena. Daí ela me mostrou a segunda. mesma cor, com uma fita laranja e branca que já é um grande sinalizador. Comprei e já estou usando.   
A blusa corta-vento sinalizada. Gostou?




"Está cansado, faz balé",diz a blusa do manequim 

Descobri este brechó do Morumbi.Dou valor à garra de mulheres como a Dona Eva. O endereço é: Rua José Carlos Pace 489 esquina com Eunápio de Queiróz
 

Conexão Guaíra - Caaró - Caibate: os mártires de 1628


Os três mártires tendo como pano de fundo a Capela de Caaró, Caibaté, RD

 Jackson Lima 

Tenho trabalhado nos últimos anos na divulgação de fatos históricos ou micro-históricos que ajudam a compor roteiros mentais das reduções jesuítas na America do Sul com destaque para o Sul (RS) do Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai ou seja na área em que o idioma guarani e o povo guarani foram peças chaves para o projeto de evangelização dos missionários jesuítas em favor da Espanha. O trabalho dos jesuítas em favor do Reino de Portugal é outra história em desenvolvimento. É outra história também o grandioso trabalho nas Missões da Chiquitania e no Beni, Bolívia.

Nesta postagem abordamos as conexões que existem entre a cidade de Guaíra (PR) e as missões jesuítas no Rio Grande do Sul como argumento e incentivo de vermos  o Paraná ( antigo Guayrá) como parte de uma Rota turística, cultural e de identidade maior das missões.

O personagem de destaque é o Padre Roque Gonzales de Santa Cruz fundador de pelo menos 11 missões em sua curta existência. 

As conexões por causa do padre - hoje canonizado - via Guaíra lembra fatos que o ligam a Assunção, terra de seu nascimento e onde se encontra o relicário de seu coração e às reduções da primeira fase das missões anteriores aos sete povos.

As imagens abaixo são dos vitrais da Igreja de Pedra ou Igreja Nuestro Señor del Perdon (ou Nuestra Señora del Perdón) em Guaíra, Paraná, sede do império da ervateiro Mate Larangeira e do Santuário Caaró (Ka'aro), lugar do martírio do padre Roque Gonzalez e mais dois companheiros, Juan del Castillo y Affonso Roderiguez localizados, hoje, no município de Caibate (Ka'a Yvate), RS. 

Relicário do Coração do Venerável Pe. Roque González 

A Igrejinha de pedra de Guaíra foi construída pela histórica empresa Mate Larangeira na década de 1930. Os vitrais são de 1932 e foram confeccionados em Buenos Aires. Me impressiona a interculturalidade do projeto da igrejinha. O projeto pode ser visto como de influência jesuíta. Nos vitrais estão São Francisco Xavier, o primeiro missionário jesuíta enviado a Asia, o padre Roque González e dois padres companheiros Juan del Castillo, no mesmo dia, e logo depois Affonso Rodríguez.
 Uma coisa interessante é que não há imagem do Padre Roque Gonzalez na igrejinha mas sim uma homenagem ao Relicário do Coração do Padre Roque Gonzalez que se encontra em Assunção no Paraguai. Para mim, isso mostra o papel de conexão de Guaíra com a Rota Jesuita do Paraná até as Missões e Fazendas Jesuítas no Paraguai, Argentina, RS  e Uruguai.
 
No vitral da Igrejinha de Guaíra, o padre Roque Gonzalez é mencionado como o Venerável Padre". Ele foi canonizado passando a integrar a lista de santos da Igreja Católica em 1989 pelo papa João Paulo II

São Francisco Xavier


Vitral na Igrejinha de Pedra que mostra o coração do Padre Roque  que pode ser visitado em Assunção 



Padre João del Castilho



Padre Affonso Rodriguez




O Santuário em Caaro (Ka'aro) com homenagens aos três mártires


domingo, 27 de abril de 2025

Famtur à Cidade de Guaíra: evento organizado pela Adetur da região Cataratas e Lindeiros

 

 PRIMEIRA PARTE

Guia local Camila Terron e Vanessa Campos, da área de Cultura da Secretaria de Esportes, Cultura e Turismo  


Uma porta atrás do palco abre para uma vista da planíce do rio Paraná

Antigo armazem de erva mate da Mate Larajeira transformado em Teatro hoje 


Este foi meu segundo famtur ao território da Adetur Cataraas e Caminhos. O primeiro foi um tur de familiarização para atores de Foz do Iguaçu aos municípios lindeiros membros da Adetur. Visitamos vários municípios começando por Santa Terezinha até Guaíra. Este foi diferente por ter ocorrido ao contrário. Levou gente de outros municípios membros para conhecer Guaíra. 

Tijolos vazados e o guardião da casa 

Muros de tijolos fabricados pela empresa Mate Laranjeira


E o mix de participantes foi interessante. Incluiu imprensa, influnciadores das novas mídias, agentes de turismo receptivos e emissivos locais, profissionais do turismo como guias com habilidades e especialidade de organização de viagens. Participaram secretários ou diretores de turismo de vários desses municípios como Itaipulândia, Matelândia, Serranópolis e Marechal Cândido Rondon.   

(Destaques em negrito são links)

Graças a isso encontrei Stephany Meinel, de Toledo, guia, organizadora de viagens de aventura e pedal; Daiane Passos de São Miguel do Iguaçu, dona de agência com foco em viagens de bicicleta na região e para fora inclusive no Norte argentino. Bruna Steckling  e Diogo Marcel guias em Foz, donos de agência de turismo pedal, aventura e um hostel; Júlio Lucca de Mundo Novo (MS), lembre que Mundo Novo é o único município do MS que é membro dos Lindeiros do Lago de Itaipu; Marcelo da Rocha, guia de turismo, observador de aves, daqueles que pensam em pássaros e aves  24 horas por dia; Camila Terron, nossa guia local em Guaíra e dona da Agência Guaíra Experience com passeios no rio, na cidade, na fronteira. 

Creio que parte do sucesso do Famtur, foi o charme de Guaíra. Com a abordagem apropriada, Guaíra é um daqueles destinos que cativam pela sua aura de história, charme de cidade pequena, natureza, gente boa e muitas surpresas. Um dos lemas da cidade é "Guaíra, cidade que começou antes do Brasil" (algo assim). Ou "cidade onde começa a Itaipu Binacional" e até "Cidade que nasceu antes das Américas".

Exemplo das surpresas: Cerca de 10 minutos após sair do local de embarque do Barco Marina do capitão Reginaldo, conversando com o Frei Pacifico, ele aponta para uma entrada na margem do lado guairense e diz "ali é a divisa entre Guaíra e Terra Roxa" e acrescenta: "Ali fica a Cidade Real do Guairá".  Ele não disse ali era ou ficava a Ciudad Real (1557). O Brasil ainda era colônia. Nem sonhava em autonomia. 

Guaíra soube, talvez nem tanto quanto muitos ativistas da história local gostaria, não esquecer o fio da meada de sua história.

Depois da Guerra da Triplice Aliança, entre 1870 e 1880, o Brasil Império ocupou o Paraguai por 10 anos e promoveu um loteamento de terras paraguaias para amigos e colaboradores do Império por serviços prestados na Guerra. 

Eram os preparativos para o lançamento da próxima etapa econômica que produziria barões e escravos na extensa área da Bacia do Prata: a erva mate. O vuco-vuco da entrega de terras começou na região de Porto Murtinho (MS) no rio Paraguai onde hoje se constrói uma ponte internacional Brasil-Paraguai ao lado de Carmelo Peralta, Paraguai. 

Com a explosão da erva mate naquela região, uma empresa beneficiada pelo Império, ganhou a concessão de terras para expandir suas atividades em direção ao rio Paraná e ao Paraná. Se chamava Mate Laranjeira. 

A empresa fundou um Porto chamado Monjoli, o começo da segunda etapa de Guaíra. Hoje, a cidade mantêm viva esses nomes em ruas e avenidas: Monjoli, Mate Laranjeiras, Murtinho, Mendes Gonçalves e outros. 

Até os cachorros da Vila Velha são simpáticos. A Agente de turismo Steffany e seu novo amigo 

Antigo hotel particular da Mate Laranjeira

Casa de gerentes da década de 30

Ulisses dos Santos, do ICMBio / Parque Nacional do Iguaçu foi convidado. Aqui, ele se deleita vendo imagens das Sete Quedas

Material antropológico-arqueológico  do Museu Municipal



A Mate Laranjeiras era o governo de Monjoli / Guaíra. Tudo pertencia ela. Foi o que vimos no city tour com a guia Camila Terron. O teatro atual reformado na época do governador Jaime Lerner foi o antigo depósito de erva. 

O hotel da empresa para receber convidados, a estação de trem e locomotiva da linha de ferro da Mate Laranjeiras que unia Guaíra a Porto Mendes, tudo continua em seus locais. 

A técnica do tijolo à vista, trabalhado com vazamento nos muros das casas e paredes são vistos como testemunho dessa época. Todos se mantêm embira aguns necesitem manutenção.

O Ministério de Obras Públicas e Comunicação da época mantinha uma base onde controlava a navegação no rio Paraná desde Sao Paulo até Guaíra e daí rio Paraná abaixo passando por  Porto Mendes, Santa Helena, Porto Sol de Maio e portos do lado paraguaio do rio até Foz do Iguaçu. 

Mas temos que tirar o chapéu para a Mate Laranjeiras. A igrejinha da cidade, chamada Igreja de Pedra ou Nuestra Señora del Perdón foi construída pela Mate Laranjeiras nos anos 30. Merece uma salva de palmas que a empresa tenha preservado a memória jesuíta. 

Os vitrais da Igrejinha presta homenagem aos padres jesuítas responsáveis pela primeira evangelização do Guairá (Paraná), da Paraquária (Paraguai, Argentina e RS)  e do Itatim (Mato Grosso do Sul). Nos vitrais são registrados homenagens a São Francisco Xavier ao Relicário do Coração do Venerável Padre Roque Gonzalez e aos padres Affonso Rodriguez e João del Castillo mortos em 1628 no que hoje é Rio Grande do Sul. 

Tudo isso é um convite para incluir Guaíra em um roteiro de turismo, histórico, cultural e religioso com fatos contínuos desde 1610 com a fundação da Missão de Nossa Senhora do Loreto (onde hoje é Itaguajé PR).      

Nos anos 1920, Guaira ainda era adminsitrada por Foz do Iguaçu e duas coisa me fazem falta: o apagamento da conexão Foz do Iguaçu - Guaíra, e o apagamento do período da erva-mate já que Foz do Iguaçu era o último porto de passagem dos barcs que rumariam para Buenos Aires e Montevuide. Estou fano de que aqui em Foz esteve a Colônia Militar e deois a Mesa de Rendas. "Em Foz não sobrou um tijolo de nada", reclamava o jornalista Adelmo Müller um colega de longa data (In Memoriam).   

Continua...