quinta-feira, 9 de abril de 2015

Vulcanismo: O quem tem a ver as Cataratas do Iguaçu e a ilha de Tristão da Cunha?


Clique para ver uma animação sobre a separação dos continentes
Localização de Tristão da Cunha no meio do Atlântico a 3.200 km de Cabo Frio (RJ)


Áreas de rochas vulcânicas (basalto) na América do Sul e África
Província Magmática Paraná-Entedeka ilustração do site de Tristão da Cunha
Em abril de 2008, sete anos atrás, escrevi neste blog sobre o IV Simpósio de Vulcanismo e Ambientes Associados realizado no Hotel Bella Italia. Destaco o conceito de ambientes associados ao vulcanismo. Foz do Iguaçu está na lista. O vento incluiu uma palestra pública com o título: Fundação e Estruturação do Planeta Terra e sua relação com as Cataratas do Iguaçu. Hoje tomo a liberdade de fazer um link para a postagem da época que continua atual. Lá você vai encontrar uma menção da Ilha britânica do Atlântico Sul chamada Tristão da Cunha  o lugar que hospeda a população humana mais remota do mundo. Nesta postagem trago mapas da ilha que é um vulcão. Ele é parte das ferramentas que a natureza usou para separar as placas continentais e formar o mundo que conhecemos. Como um ambiente associado ao vulcanismo, Foz do Iguaçu está em uma área que foi altamente vulcânica. Essa parte você pode conferir na postagem de 2008. 


A ilha  é um ‘estratovulcão’ formado sobre um núcleo localizado 400 km a leste da cordilheira central do Atlântico. O pico em forma de cone se chama Queen Mary's Peak e está a 2.060 metros sobre o nível do mar. A última erupção dele foi em 1961 quando toda a população foi evacuada e levada para a Inglaterra. Em 2004 houve outra erupção desta vez submarina cujo epicentro estava a 3 mil metros de profundidade no leito do oceano. Lá, atividade vulcânica não é história.    

A ilha que serviu de alavanca para separar os continentes

Queen Mary's Peaké o ponto mais alto da Ilha com 2.060 metros acima do nível do mar
Edinburgo dos Sete Mares - a capital da Ilha 
(Edinburgh of the Seven Seas)

terça-feira, 7 de abril de 2015

Artesanato paraguaio em CDE

Feirinha de artesanato em CDE durante o aniversário da cidade em 2015





Palmeira feita em ferro e zinco com  frutos ...
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O Paraguai não é o menor país do mundo. Tem 406 mil e 752 quilômetros quadrados o que faz dele o 59º país em área do mundo. E mesmo assim quando se fala em Paraguai boa parte dos brasileiros pensam no "microcentro" de Ciudad del Este. Microcentro é um pedacinho do centro. Famoso por ter uma concentração de lojas e vendedores de produtos importados, o microcentro faz o brasileiro não saber da existência do restante da cidade. do país e de seu produtos. Isso é ruim para todos. O Paraguai é dividido em 17 departamentos uma unidade semelhante a "estado" nosso. Ciudad del Este está no Departamento do Alto Paraná. Na longa praça no canteiro central da Avenida Alejo Garcia - antiga pista do Aeroporto se organiza em momentos especiais pequenas feiras de artesanatos, móveis rústicos e utensílios domésticos artesanais.  


Riqueza de cuias e bombas de mate / chimarrão / terere
"Cuidado com o pombero"
O Pombero - A penúltima foto mostra uma pequena coleção de 'pomberos' - um dos espíritos da floresta da mitologia guarani e muito espalhado no Paraguai. Na prática, os pais, mães e avós paraguaios podem considerar o pombero como um parceiro. Não é difícil escutar alguém dizendo às crinaçs que querem se embrenhar no mato: "Cuidado com o pombero". Um sinal para saber que o pombero está por perto é o canto de um pássaro. Pode não ser um pássaro. Por isso ele é considerado  protetor dos pássaros especialmente dos pássaros que estão na mira de estiligues de crianças traquinas. Um detalhe do pombero é seu pênis avantajado embora ele perca para o pênis do kurupi que dá várias voltas na cintura quando enrolado.
 O Kurupi na selva amazônica é chamado de curupira. Tem características diferentes do kurupi paraguaio. O pombero é da família do Saci Pererê que no Paraguai ´[e chamado de Yacy Yateré.  Se a gente tivesse um pombero e um kurupi nas florestas do Parque Nacional do Iguaçu duvido que as araras vermelhas tivessem sido extintas. 
O kurupi iria dar um susto nos caçadores. No Amazonas, mais precisamente, nas margens do igarapé Urumutum, um "curupira" soprou no meu cangote. Me arrepiei todo. Eu planejava cortar uma 'paxiuba' (Socratea exorrhiza) para fazer o assoalho de meu tapiri. Daí escutei o canto de um cricrió ou frifrió  (Lipaugus vociferans) seguido por pelo lamento de um urutau (Nyctibius griseus). 

Noiva de Curitiba e a Igreja dos Capuchinhos



O Hotel Slaviero Palace localizado na Rua Senador Alencar Guimarães próximo ao Parque Osório em Curitiba é um lugar escolhido por muitas noivas de Curitiba. As  fotos da noiva que ilustra esta postagem é de fevereiro ou março de 2014. Voltei à Curitiba e ao mesmo hotel em março de 2015 e. de novo, fui surpreendido por mais uma noiva. Aproveitei uma parada na sessão de fotos e fui conversar com a fotógrafa. Perguntei se ela era a fotógrafa que eu fotografei em em 2014. Ela respondeu que não.  Era o primeiro casamento que ele fotografava no hotel. Mas me disse também que o hotel está na lista das noivas por estar localizado perto de uma das igrejas mais casamenteiras da cidade. Segundo a fotógrafa é a Igreja dos Capuchinhos.    



Um tributo ao agente de viagem e turismo Júilo César Rodrigues

Grupo que fez o circuito Sabiá Emater / Atrifi

Júlio Cesar Rodrigues conversa com Lourdes Petsch da Pousada do Nono 
do Circuito Sabiá

O empresário, agente de turismo, operador e presidente da Associação de Turismo Receptivo Internacional de Foz do Iguaçu, Julio Cesar Rodrigues faleceu no dia 21 de março em Foz do Iguaçu. Ele tinha 64 anos. Presto um tributo aqui a ele e, de passagem, também a outros homens e mulheres que lutaram pelo turismo de Foz do Iguaçu e já não estão nessa dimensão da vida.   

Júlio César era ativo e barulhento especialmente em reuniões do COMTUR, no gabinete de prefeitos quando estava em pauta algum assunto que ameaça ou ameaçava a atividade turística. Ele metia a boca. É dele a frase: “Foz do Iguaçu não é uma cidade turística. É uma cidade com atrativos”. Daí vinham os exemplos: “o que é que você faz em Foz à noite? Tem teatro? Tem vida noturna?”, entre outros exemplos. 

Em 2009, o engenheiro Roberto Lolis da Emater convidou o Júlio para conhecer o Circuito Sabiá de Turismo Rural em Matelândia e os dois me convidaram para ir junto. Júlio articulou os membros da Atrifi e lá fomos nós. Ele queria realmente ajudar os pioneiros do turismo rural de Matelândia. 

Julio César foi o primeiro chefe de agência de turismo que conheci logo após minha chegada em Foz 1977. Ele era funcionário da STTC Turismo e era meio chefe ou chefe. Uma vez, quem levou um berro dele foi eu. Foi assim: eu trabalhava na Agência Tropical de Turismo do Hotel Tropical das Cataratas. Eu tomava conta da mesa da agência de turismo e meu papel era conversar com os turistas, vender excursões (opcionais), dar informações, ajudar, além de resolver pequenos problemas deles. Algumas pessoas graças àquela mesa lembro delas até hoje.  Um dia eu estava sentado lá e um casal (norte) americano sentou-se comigo e começamos a conversar. Expliquei o que fazia, dei sugestões e falamos sobre diferentes coisas. Não me lembro exatamente como mas em menos de meia hora eu já tinha vendido uma excursão opcional para o casal que logo trouxe outro casal. No final creio que vendi uns 15 opcionais para os hóspedes do hotel. Marcamos o horário de saída e acompanhei o grupo ao restaurante indicando-lhes onde sentar. 

No outro dia pela manhã, às 9h, meu ônibus estacionou e aguardava os meus turistas quando chegou o ônibus da STTC e o Julio César Rodrigues, quem eu iria conhecer em poucos minutos. Na hora do embarque tínhamos dois ônibus e um único grupo. O Júlio me pediu explicações e eu disse: o grupo é do hotel eu vendi excursão para eles. Daí ele foi vociferante. Me deu uma cachoeira de palavras, brigou, ficou nervoso e chamou o meu gerente. Daí aconteceu o que tinha de acontecer. Cancelamento de minhas vendas, não chegou a haver devolução de dinheiro pois eles iriam pagar junto com as diárias e surpreendentemente o gerente achou que eu tinha potencial. Vendi uma excursão inteira para quem já tinha tudo pago. Creio que fiquei bem com o homem. 
O Júlio nunca falou disso comigo e creio que esqueceu. Anos mais tarde fui trabalhar na STTC como guia. Minha passagem durou um dia. Juro que não me lembro por quê. Daí fui trabalhar para outro cacique do turismo, o dono da Grande Agência Tur-Turistico Internacional (Gatti) Ltda. Julio Cesar Rodrigues foi um dos homenageados no Prêmio Destaque do Turismo 2014 – 100 Anos de Foz. Na declaração que prestou aos organizadores Júlio se identificou como “Eu sou mais um que vim para somar” e disse que “existem muitas pessoas que já não estão mais aqui, inclusive o meu ídolo, o Fernando Rodrigues Valente”, e fechou dizendo que Valente “foi um dos maiores empresários do turismo, com o qual comecei em 1965”. 
Falo do empresário Fernando Valente e presto-lhe homenagens. Quando eu conheci a STTC ela já tinha 12 anos de fundada. Isso mostra como o turismo organizado  de Foz é novo. Quando escrevi uma nota sobre o falecimento de Fernando Valente, liguei para o Júlio para pegar um depoimento. Ele me disse o que disse no depoimento dele ao Prêmio dos 100 anos e acrescentou que sentiu a ruptura com o mestre Valente não o perdoara. “Ele nunca me perdoou por isso”, disse por telefone a mim, jornalista em horário de trabalho sabendo que tudo o que ouço um dia será publicado. Com este tributo ao Júlio César Rodrigues presto homenagens também a Fernando Valente, com quem nunca me encontrei, infelizmente, e penso em outros nomes, outras pessoas, outras vidas que se dedicaram ao turismo desta cidade como John Samprakos e Miriam Coimbra que partiram recentemente.


E aproveito para dizer que me incomoda que haja um silêncio tão grande após a morte de nossos grandes lutadores e guerreiros do turismo. Claro que deve haver problemas de lealdade, brigas e outras diferenças que se apagam com a mudança de dimensão – desta para a outra dimensão. Um dos homenageados no Prêmio 100 Anos - im memoriam - foi o Capitão Edmundo de Barros – um dos pioneiros de tudo o que acontece em Foz. Ele sofreu, lutou, se decepcionou, adoeceu em defesa de coisas locais indefensáveis. Ele foi autor do primeiro desenho das Cataratas na época em que a linha de fronteira sobre as Cataratas não havia sido definida. Ele até achou que o Brasil tinha traído a causa das Cataratas 100% brasileiras que existiu e foi defendida aqui na Colônia Militar do Iguaçu. 

No dia 17 de janeiro de 1905, Edmundo Xavier de Barros morreu e foi sepultado no Rio de Janeiro. A vida continuou. Como tinha morrido, a maioria de nós, não tinha porque pensar nele. Pelo menos não até o dia em que alguém pediu a Chico Xavier que entrasse em contato com ele e pedisse uma mensagem. Edmundo de Barros ditou uma mensagem que Chico Xavier psicografou. Era um poema chamado Vida, dizia assim:

Nem a paz, nem o fim! A vida, a vida apenas,

É tudo que encontrei e é tudo que me espera!

O ouro, a fama, o prazer e as ilusões terrenas

São lodo, fumo e cinza ao fundo da cratera.


Esvaiu-se a vaidade! ... Os júbilos e as penas,

A alegria que exalta e a dor que regenera,

Em cenário diverso aprimorando as cenas,

Continuam, porém, vibrando noutra esfera.

Morte, desvenda à Terra os planos que descobres,



Fala de tua luz aos mais vis e aos mais nobres,

Renova o coração do mundo impenitente!

Dize aos homens sem Deus, nos círculos escuros,

Que além do gelo atroz que te reveste os muros,

Há vida... sempre a vida... a vida eternamente...


quarta-feira, 1 de abril de 2015

Conferindo o Espaço da Memória do Parque Nacional do Iguaçu

Salão principal da Mostra  (Fotos Enio Jorge Job)
Esta postagem é antiga e só foi liberada agora. Trata-se da inauguração do Espaço da Memória do Parque Nacional do Iguaçu inaugurado oficialmente no dia 9 de janeiro de 2015, na véspera do aniversário oficial da canetada do presidente Getulio Vargas que criou o Parque Nacional do Iguaçu em janeiro de 1939. No Espaço, há uma série de fotografias que destacam moradores de Foz do Iguaçu em visita às Cataratas – um ato que na época incluía a possibilidade de tomar banho nas Cataratas – especialmente no degrau intermediário do Salto Floriano aquele onde hoje existe a passarela. 
A beleza e a qualidade das fotos bem como da organização, edição e escolha só têm a falar bem da iniciativa. Além de fotos, a mostra tem ainda móveis antigos, sofás, cadeiras, escrivaninhas de madeira de lei daquelas que hoje, época de maneira prensada e compensada, não existe mais. 
Em uma daquelas cadeiras, embora ninguém saiba qual, Getulio Vargas sentou-se. O Espaço mostra também alguns documentos importantes. Em um deles se pode ver um dos atos pioneiros para fixar tarifas de visitação ao Parque em 1970.

Eu, Jackson Lima. fazendo o que mais gosto: conferindo "histórias"
Visão Geral do Espaço Memória do Parque Nacional do Iguaçu
Uma das regras é que a permanência máxima dentro do Parque Nacional do Iguaçu era de sete dias. Os visitantes ficavam em casas e cabanas do Parque que na época estava ligado ao Ministério da Agricultura. Os preços detalhavam o que se cobrava por veículo e por   caminhão além de ditar preços pelo uso das antigas churrasqueiras demolidas entre 1997 e 1999.

A direção do Parque Nacional do Iguaçu, é merecedora do reconhecimento de todos neste sentido. Há tempo o Parque clamava um espaço onde o visitante um pouco mais exigente tivesse informações sobre o passado e a história do Parque, da cidade e do entorno. Que a mostra continue crescendo.