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quarta-feira, 21 de abril de 2010

O Marco das Três Fronteiras, Brasil: por que não interessa ao Governo?

Até 1972, O "Marco brasileiro" como a gente costuma chamar o Marco das Três Fronteiras, Brasil, não tinha estrutura nenhuma para receber visitantes. Suponho que já se comentasse sobre ele na cidade e, como fotos antigas revelam, era um lugar onde se fazer grandes fotos de grupos. A foto ao lado dá uma idéia de como era o Marco das Três Fronteiras durante a maior parte de sua presença nesse canto do Brasil e da América do Sul. Um pioneiro de Foz do Iguaçu, João Raimundo Júnior, o Jango, disse que até certo tempo o Marco das Três Fronteiras era “coisa do Exército”. Eram os soldados que mantinham o lugar. O ex-prefeito de Foz do Iguaçu, Osires Silva, confirma e diz que o Exército mandava os soldados cuidarem do “marco”. “Mas era só uma pedras amontoadas” – destaca Jango.

Gilvan e os filhos no Marco das três Fronteiras - já aparece a primeira lanchonete e lojinha da família nos fundos (Foto da família)

Em 1967, um funcionário público que trabalhava para a hoje extinta Empresa Brasileira de Portos S.A. – Portobrás, Gilvan Farias chegou a Foz do Iguaçu e se estabeleceu na área do Marco das Três Fronteiras que, na época, embora fosse federal, estava na propriedade da antiga Serraria e Madereira Amambay de Gregório Rubens.

A missão de Gilvan era dar início aos estudos de viabilidade para a construção do futuro Porto de Foz do Iguaçu, que não saiu do papel. Um dos motivos que desanimou o Governo de fazer um porto era a possibilidade de sair a Usina de Itaipu e a possibilidade de haver uma "morte" da navegação no Paraná. Com Gilvan veio a esposa, Maria Claudina Farias. Ela conta que assim que chegou se deslumbrou com a possibilidade de viver em um local privilegiado, em um ponto de onde se via três países e dois rios. Logo a Portobrás começou a levantar as terras para desapropriação da área. Em 1971 saíram as primeiras escrituras.

A família adquiriu parte do terreno na área onde construiu uma casa e onde a família passou a morar. Maria Claudina, logo começou a se perguntar: por que esse lugar não era conhecido e visitado turisticamente? "Em 1972 isso começou a funcionar como ponto turístico”, lembra Maria Claudina que depois de 30 anos, continua encantada com o Marco das Três Fronteiras, onde além da casa, funciona o Recanto dos Três Marcos. Um ano importante para o Marco Brasileiro foi 1974, segundo ela, após a assinatura do Tratado de Itaipu e quando a cidade começou a crescer. “E o Marco cresceu junto com a cidade”, destaca Claudina.

Após a publicação do Decreto Lei 1470 de junho de 1976, os brasileiros tiveram de pagar um depósito compulsório de mil dólares para obter ou renovar passaporte ou simplesmente para sair do País. A medida ajudou o turismo interno incentivando viagens dentro do Brasil. No pacote foram incluídos os Vôos de Turismo Doméstico (VTD) que levantaram o turismo brasileiro especialmente para Serra Gaúcha, Salvador, Foz do Iguaçu. Como resultado, no Marco das Três Fronteiras Brasileiro, passou a haver engarrafamento de ônibus de turismo carregados com visitantes. Nessa época chegou o empedrado, o estacionamento. Durante o tempo, houve esperança de que o Centro de Convenções de Foz do Iguaçu fosse construído aqui.

O Marco é lugar de projetos. Nos anos 90 outro projeto foi anunciado. Desta vez era um projeto que teria a participação da Espanha e se chamaria Memorial Cabeza de Vaca – homenagem ao espanhol reconhecido como sendo o primeiro não-índio a ver as Cataratas do Iguaçu. E daí veio o projeto de se construir uma torre que terá no topo um restaurante giratório. O projeto foi licitado, vencido, inciado, paralizado, se enrolado. Mas daí, há outros, segunda ponte com o Paraguai, teleférico trinacional e outros. Aí está um lugar que deve ser visto com mais carinho. É um lugar único! Não posso deixar de mencionar o Espaço das Américas construido pelo Governo do Estado que está lá mas ainda não pôde mostrar todo o seu potencial!

Acompanhe o Blog do Marco das Três Fronteiras editado por um dos filhos de Gilvan

terça-feira, 20 de abril de 2010

Um Histórico dos Marcos das Três Fronteiras Brasil – Argentina

O Marco das Três Fronteiras localizado no bairro do Porto Meira, Foz do Iguaçu, Paraná, lado brasileiro da Tri-Junção de Países e Bi-junção de rios, identificado, hoje, pelas cores verde e amarela,

e o Marco (Hito) de las Tres Fronteras localizado em Puerto Iguazú, no lado argentino da Tri-Fronteira, dentificado pelas cores azul celeste e branca, foram inaugurados em 1903. Os dois têm o mesmo formato. Os dois celebram o mesmo evento. Já o Marco (Hito) da las Tres Fronteras, do lado paraguaio do encontro tri-nacional foi inaugurado em 1961 e, portanto, não fez parte do evento que levou Brasil e Argentina a colocarem os marcos no lugar onde estão.

Omar Specchiulli, comerciante na feirinha do Marco (Hito) das Três Fronteiras em Puerto Iguazú, explica que os marcos argentino e brasileiro são da mesma família. “Os dois são parte de um convênio entre Argentina e Brasil para demarcação das fronteiras. O Paraguai não fazia parte do convênio” – afirma. A história confirma.

Porém, foi mais que um convênio. A fronteira do Brasil com a Argentina foi a última a ser demarcada entre as fronteiras do Brasil com os outros países da América do Sul.
Porém, antes que a demarcação acontecesse foi necessário que os dois países apelassem ao então presidente dos Estados Unidos da América, Grover Cleveland (foto à esquerda) para que ele arbitrasse ou ajudasse a resolver o conflito que persistia e desafiava os negociadores dos dois países por mais de 50 anos. Brasil e Argentina disputavam uma área do que hoje é Oeste do Paraná e Santa Catarina à leste do rio Peperi-Guaçu e chegando até os rios Chopim e Chapecó, hoje no Brasil.

Em 1895, o presidente Cleveland deu a sentença que ficou conhecida como “Laudo Arbitral” favorável ao Brasil. Essa solução intermediada, levou a diplomacia dos dois países a elaborar e assinar o Tratado de 1898 que delimitava, no papel, as fronteiras brasileiro-argentinas. Nesta data, era ministro das Relações Exteriores, o general do Exército, Dionísio Evangelista de Castro Cerqueira (foto à direita)

Anos depois, entre 1900 e 1904, aconteceu o evento que os Marcos das Três Fronteiras (Argentina / Brasil) celebram: a demarcação definitiva em que brasileiros e argentinos vistoriaram o território e colocaram os marcos divisórios. Aqui se registra um fato curioso. O General Dionísio Cerqueira, já como o ex-ministro das Relações Exteriores que assinara o Tratado de 1898, veio como o comissário do Brasil para a colocação dos marcos na região anteriormente em litígio. O seu par argentino foi Pedro Ezcurra. Assim, sem necessitar mais conflitos, os dois países encerraram as disputas e o grande fato foi celebrado pela colocação dos Marcos Argentino-brasileiro nas Três Fronteiras.

Um painel histórico pintado no terraço do Recanto dos Três Marcos, em Foz do Iguaçu, destaca que os Marcos das Três fronteiras do Brasil e Paraguai são simbólicos visto que a fronteira de verdade está no rio. Confira a descrição oficial da fronteira a partir da desembocadura do Rio Santo Antônio no rio Iguaçu: “Da boca do rio Santo Antônio, vai o limite pelo talvegue do rio Iguaçu até sua desembocadura no rio Paraná, passando pelo salto do Iguaçu, até onde se inicia a fronteira do Brasil com o Paraguai”. Não são marcos para delimitar fronteira, mas sim, como símbolos de uma paz conquistada pelo diálogo e respeito. Tanto no Marco Brasileiro como no Argentino, há placas colocadas em 2003 que celebram os 100 anos dessa demarcação histórica.

Baseda em material publicada na Revista 100 Fronteiras