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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Foz do Iguaçu celebra 400 anos das Missões Jesuíticas com festival internacional

 

Foz do Iguaçu será palco, nos dias 7 e 8 de novembro, de uma grande celebração pelos 400 anos da Missão Jesuítica Santa María del Iguazú, marco histórico ligado à formação cultural da região das Três Fronteiras.

O evento será realizado no Mercado Público Barrageiro e reunirá pesquisadores, artistas, músicos, representantes religiosos, lideranças indígenas, universidades, gestores públicos e comunidades ligadas ao patrimônio missioneiro.

Promovido pela Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo do Paraná (ABRAJET-PR), o Festival Missioneiro pretende transformar a celebração dos quatro séculos em um movimento de valorização da memória, da cultura e da identidade dos povos, conectando Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai por meio da história, música, gastronomia e turismo.

A iniciativa integra Foz do Iguaçu ao movimento internacional dos 30 Povos Missioneiros e busca valorizar o legado artístico, espiritual e cultural do chamado Barroco Jesuítico-Guarani.

Uma história que atravessa quatro séculos

Fundada em 1626 na região trinacional, a Missão Jesuítica Santa María del Iguazú faz parte de um importante capítulo da história da América do Sul. Sua trajetória se relaciona com outras reduções jesuíticas, incluindo San Nicolau do Piratini e São Francisco Xavier, no Rio Grande do Sul.

Para o pesquisador, escritor e jornalista Jackson Lima, mentor da proposta de transformar os 400 anos da missão em uma grande celebração em Foz do Iguaçu, a data representa uma oportunidade de reconhecer a história como patrimônio vivo.

“Celebrar os 400 anos de Santa María del Iguazú é muito mais do que lembrar uma data. É reconhecer uma história que pertence a toda a região e que ainda está presente na nossa cultura, na música, na espiritualidade, na gastronomia e na identidade dos povos das Três Fronteiras”, afirmou.

Segundo Lima, a intenção também é aproximar as novas gerações desse patrimônio e ampliar sua presença nas áreas de cultura, educação e turismo.

Cultura, gastronomia e experiências missioneiras

Durante os dois dias de programação, o público poderá conhecer uma série de atividades inspiradas no universo missioneiro.

A Feira Cultural e Gastronômica Missioneira deverá reunir artesanato tradicional indígena, produtos dos territórios dos 30 Povos Missioneiros, gastronomia típica dos quatro países e manifestações artísticas relacionadas às Missões Jesuíticas.

Também estão previstas exposições de instrumentos barrocos, peças artísticas e espaços interativos dedicados à história e ao patrimônio missioneiro.

A programação artística contará com grupos de dança tradicional do Brasil, Argentina e Paraguai, corais comunitários e religiosos, intervenções musicais barroco-guaranis, espetáculos temáticos e performances inspiradas na cultura jesuítico-guarani.

Seminário internacional

Outro destaque será o Seminário Internacional sobre as Missões Jesuíticas, que deverá reunir pesquisadores, historiadores, arqueólogos, gestores públicos, lideranças indígenas, representantes religiosos, universidades e instituições culturais.

Entre os temas estão a história das Missões Jesuíticas, turismo cultural e religioso, patrimônio histórico, espiritualidade, identidade missioneira, preservação da memória e desenvolvimento regional por meio do turismo cultural.

A proposta é estimular o debate sobre formas de transformar o patrimônio histórico em instrumento de educação, integração regional e desenvolvimento sustentável. 

Orquestra e Coral da Capela Musical de San Ignacio Guazú, Misiones, Paraguai
 se apresentou nas Cataratas do Iguaçu em 2025 aunda faltava um ano para os 400 anos da fundação da Missão Santa Maria La Mayor (Foto Jackson Lima)


Música barroca jesuítico-guarani

Um dos momentos especiais da celebração será a apresentação da Orquestra e Coral Barroco-Jesuíta Guarani, projeto que reúne músicos eruditos convidados, artistas locais, músicos indígenas e coral missioneiro.

A proposta é levar a música para além do palco principal, com apresentações em espaços e atrativos turísticos que possuem conexão histórica, cultural ou simbólica com a região.

Segundo a presidente da ABRAJET-PR, Silvana Canal, a iniciativa também reforça a possibilidade de integrar cultura, natureza, gastronomia e lazer nos roteiros turísticos da região trinacional.

Integração entre quatro países

A presença jesuítica deixou marcas na arquitetura, música, espiritualidade, costumes, artesanato e organização social dos territórios que integram o universo missioneiro.

Por isso, a celebração dos 400 anos também busca fortalecer a integração entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, estimulando novas conexões entre destinos, roteiros e comunidades.

A expectativa é que a iniciativa contribua para ampliar a visibilidade de Foz do Iguaçu no turismo histórico, cultural e religioso, criando novas experiências que possam complementar os tradicionais atrativos naturais do município.

Turismo e economia criativa

Texto: Silvana Canal Marketing & Assessoria


quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Empresa de turismo de Puerto Iguazú transforma banhados em riqueza ambiental e investe em sustentabilidade

Arquitetura homanageia projetos de 1935 dos primeiros edifícios públicos da cidade

Da Assessoria

O Hotel El Pueblito Iguazú e o atrativo turístico Biocentro, em Puerto Iguazú/AR, integram a preservação do meio ambiente e a cultura da região missioneira no setor de turismo através da preservação da fauna e flora.

El Pueblito Iguazú Hotel Temático

A empresa argentina Cuenca del Plata, sediada em Puerto Iguazú, vem redefinindo a maneira como áreas ambientalmente sensíveis são tratadas. O que muitos veriam como uma área a ser drenada e aterrada, o grupo transformou em um símbolo de preservação e desenvolvimento sustentável. “Nós não precisamos mexer na natureza para construir nossas empresas. Pelo contrário, podemos usar as riquezas naturais para atrair a atenção dos visitantes e conviver com a preservação do meio ambiente”, explica a CEO do Grupo Cuenca del Plata, Patrícia Duran.

domingo, 15 de outubro de 2023

Yabuticaba Mercadito de la Selva um empreendimento com gosto de "atrativo" já está aberto

Yabuticaba Mercadito de la Selva. Calle (Rua) Hipólito Irigoyen, 386

Os diferentes níveis do empreendimento

Como se diz na linguagem do turismo, Puerto Iguazu acaba de ganhar um novo atrativo. Foi inaugurado nesta segunda-feira, 9, um empreendimento que ganhou o nome de  Yabuticaba Mercadito de la Selva. O nome vale o quanto pesa. Foi inspirado em uma árvore centenária de jaboticaba presente no terreno. E o mercadito é exatamente isso. Há várias sublocações a empresas da cidade que mantêm aí suas filiais e onde se consegue desde verduras, frutas, erva mate, temperos e outros artigos.  

O mercadito é um empreendimento multiespaço que ocupa um terreno arborizado, daí vem a palavra "selva" preservado da Mata Atlântica ou Bosque Misionero como se diz em espanhol.  Tudo isso nas proximidades do Cassino ,,, na área central de Puerto Iguazu. 

O Mercadito de la Selva idealizado pela empresária Patricia Durán tem três andares que se aconchega no no declive do terreno. O primeiro andar no nível da rua, é o Mercadito em si. 

No andar de cima, está um espaço gastronômico com capacidade de atender grupos turísticos, jantares corporativos e festivos e confraternização com cardápio assinado pelo chefe Diogo Irato e equipe. O terceiro nível está abaixo do primeiro, é a área arborizada onde há diversos ambientes entre eles um "asador" cercado por lugres agradáveis para receber pequenos grupos.

A nova experiência da fronteira foi idealizada  pela empresária Patricia Durán presente no setor de turismo e hotelaria. A inauguração contou com a presença de autoridades como o governador de Misiones, Oscar Herrera Ahuad e o ministro de turismo da Província, José María Arrúa. O prefeito de Puerto Iguazu, Claudio Filippa também esteve presente. Os três falaram sobre a importância dos investimentos e das parcerias entre as iniciativas governamentais e privadas e lembraram os esforços da cidade em se preparar para receber turistas gerando empregos para a população local. 

A empresária Patricia Durán, agradeceu a confiança de diversas empresas que aderiram ao projeto sublocando áreas internas para a venda e divulgação de seus produtos. Entre eles está o Matebar que tem loja no centro da cidade e tem presença no Mercadito de la Selva. A marca de alfajores Cachafaz também se juntou ao projeto junto com diferentes empresas dedicadas ao vinho argentino.

O evento de inauguração também foi prestigiado poo empresários e autoridades do turismo de Foz do Iguaçu. O presidente do Visit Iguassu, Felipe Gonzalez e a diretora executiva Elaine Tenerello; Fernando Martin, Enio Eidt  além de  jornalistas iguaçuenses convidados. 

Galeria de fotos abaixo: 


O centenário "pé de Jaboticaba" que deu nome ao "Yabuticaba Mercadito de la Selva" 

Governador de Misiones, Oscar Herrera Ahuad, o ministro de turismo da Província, José María Arrúa e a empresária Patricia Durán

Prefeito de Puerto Iguazu, Claudio Filippa


Ideia dos diferentes níveis do estabelecimento





Um dos espaços aconchegantes  

Matebar e Yerbateca

Variedade de ervas produzidas na província

Variedades de alfajor

Um dos espaços variados de vinho



terça-feira, 26 de setembro de 2023

Apresentando o Hino ou Canção Oficial da Província de Misiones



A CANÇÃO OFICIAL DE MISIONES, Argentina

Tendo como foco o Mundo Jesuítico-Guarani tenho viajado e escrito bastante nos últimos dois anos sobre o Paraguai. Vivendo na Região-Trinacional não posso deixar que os amigos e amigas de Misiones, Argentina e meus conterrâneos brasileiros pensem que eu não gosto mais deles. O meu projeto agora vai virar na direção de Misiones (também) pois aí começo a fechar o ciclo do que quero fazer. A região das Missões é formada por oito povos no Paraguai, Sete no Brasil (RS) e 15 na Argentina.
Vejo a província de Misiones como a herdeira, aqui para nós, do antigo Governo das Missões Guaranis ou Governo dos 30 Povos das Missões que funcionou entre 1770 após a expulsão dos Jesuítas até 1810 véspera das independências da Argentina e Paraguai. Esta coisa "misionera" ou "missioneira" é fantástica. Depois da Guerra da Tríplice Aliança, o Paraguai perdeu Misiones pelo Tratado de 1776. Misiones, depois disso, passou primeiramente a ser parte de Corrientes até 1881 quando Misiones chuta Corrientes e passa a ser o Território Nacional de Misiones a atual Província de Misiones.
Quero começar divulgando o que o Decreto Nº 813 de 2000 assinado pelo então governador Carlos Rovira e o Congresso Provincial aprovou em 2002 como " A canção oficial de Misiones". O nome oficial é "Misionerita", é uma galopa, opositores que defendiam um chamamé disseram que a canção é uma polca paraguaia. Este outro link vai para outra versão da Misionerita. Já Neste vídeo o compositor Karoso Zueta fala sobre a música, lembra o ambiente e reação popular quando a música foi escolhida e faz uma análise do texto literário da canção-poesia.

Nota:
Recomendo as autoridades brasileiras que ao realizarem eventos que incluam a província de Misiones toquem a canção oficial junto neste caso, por reciprocidade, com o Hino do Paraná , seu equivalente

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Jornalistas de Foz participam de Press Day em Puerto Iguazú (AR)

Convidados pelo CT Group, os jornalistas conheceram hotel e os centros de eventos, degustaram da gastronomia, relaxaram nos apartamentos e receberam um ‘regalo’


Jornalistas ganharam brinde oficial do empreendimento  

O Press Day teve como objetivo  oferecer um dia diferente para os profissionais da comunicação, que normalmente tem o dia corrido, a fim de fazer a produção de notícias para levar aos leitores informações factuais por meio de seus próprios portais. Participaram do primeiro Press Day: Katya Santos (Foz Mulher); Marcio Queiroz (Portal Fronteiras); Jackson Lima (Blog de Foz) e o portal Silvanacanal.com.br.

A programação foi bastante tranquila e confortável. Logo na chegada o grupo foi recebido com café da manhã deliciosos em seguida, cada convidado recebeu uma chave para relaxar e desfrutar um merecido descanso nos aconchegantes e amplos apartamentos, decoração moderna e com amplas janelas para a Selva Iryapu, banheiro com banheira de hidromassagem e tem até um roupão para ficar bem à vontade.

Uma habitação familiar, kids friendly, do Falls Iguazu Hotel & Spa

Na segunda parte da programação, os jornalistas foram convidados pelo diretor comercial, Sérgio Abalo e a gerente comercial Irene de Oliveira para fazer visitas aos centros de eventos que estão sendo construídos pelo CT Group, dentro da reserva Iryapu. O dia foi complementado com um almoço no restaurante e passeio nas trilhas do hotel. Para finalizar as atividades, o grupo pode fazer a cultural siesta (soneca depois do almoço) e um bate papo com os anfitriões. 

Há cardápio especial para o lanche das crianças


A programação foi bastante tranquila e confortável. Logo na chegada o grupo foi recebido com café da manhã deliciosos em seguida, cada convidado recebeu uma chave para relaxar e desfrutar um merecido descanso nos aconchegantes e amplos apartamentos, decoração moderna e com amplas janelas para a Selva Iryapu, banheiro com banheira de hidromassagem e tem até um roupão para ficar bem à vontade.

Na segunda parte da programação, os jornalistas foram convidados pelo diretor comercial, Sérgio Abalo e a gerente comercial Irene de Oliveira para fazer visitas aos centros de eventos que estão sendo construídos pelo CT Group, dentro da reserva Iryapu. O dia foi complementado com um almoço no restaurante e passeio nas trilhas do hotel. Para finalizar as atividades, o grupo pode fazer a cultural siesta (soneca depois do almoço) e um bate papo com os anfitriões. 


Sergio Abalo (à direita) diretor comercial do Grupo CT e Irene de Oliveira diretora comercial da unidade em Puerto Iguazu

Visita de conhecimento

Um dos centros de eventos já será inaugurado junho. Será um centro para eventos com 1,5 mil metros quadrados divididos em dois andares contíguo ao Falls Iguazu Hotel e Spa. "Já estamos instalando elevadores, sistema de ar-condicionado central, e deixando pronto para uso áreas como palco suspenso, cabine para DJs e serviços", comentou Irene de Oliveira gerente comercial do empreendimento.

O segundo centro de eventos batizado como Centro Corporativo Iryapu estará pronto em dezembro. "Este é o espaço que vai fazer toda a diferença para o turismo de Puerto Iguazu e também da região como um todo", disse o diretor comercial do CT Group, Sergio Abalo. O projeto do Centro Corporativo inclui ainda para o futuro próximo mais um hotel e um spa.

Os salões terão paredes moduladas e uma série de pequenas salas que podem ser usadas para armazenamento, camarins, apoio, além de ter elevadores de serviços e uma rua subterrânea estratégica para descarga ou entrada privativa de autoridades.

O projeto incluiu alguns cuidados ambientais importantes como paredes verdes com jardins verticais e um sistema de pavimentação de áreas como estacionamento e vias de acesso conhecido como asfalto ecológico. Essa pavimentação utiliza uma base feita por pequenas pedras e pedregulhos cobertos com camadas de brita de pequena granulação. "A vantagem desta tecnologia é que em dias de chuva toda água é absorvida pelo solo no local onde cai evitando a possibilidade de a água escoar para lugares não previstos", explica Sergio Abalo.

A inauguração dos centros de eventos vai repetir a história do projeto que criou o conglomerado de hotéis de várias categorias na área da Selva Iryapu. O resultado foi o acréscimo de seis mil novos leitos à oferta da cidade que hoje já conta com 14 mil leitos.

"Hoje a cidade não tem capacidade para realizar eventos maiores com público de cinco ou seis mil participantes. Com os dois centros, tudo vai mudar", lembrou Sergio Abalo. Ele destaca ainda que a oferta melhorada não representa ameaça à hotelaria e eventos das Três fronteiras quer seja Foz do Iguaçu ou Ciudad del Este. "Estamos vindo para somar", concluiu.

 

O Falls Iguazu Hotel

O Hotel e Spa foi o primeiro empreendimento do CT Group em Puerto Iguazu e hoje já celebra sete anos de funcionamento. O Hotel conta com 95 apartamentos, um Spa, área ampla de lazer além de um perfil definido. Para Irene de Oliveira, a gerente comercial, o público alvo do hotel são as famílias. "Somos um hotel amigo da criança", destaca. Prova disso é a placa que indica uma Área para Crianças (Kids Zone) próximo ao lounge da recepção. Há brinquedos e até um cardápio para criança.

Irene Oliveira leva visitantes a conhecer o centro de eventos que inaugura em junho contíguo ao hotel 


Irene destaca que a proposta não é ser um resort. "Não temos recreadores, por exemplo", explicou que as áreas são oferecidas para que crianças possam brincar acompanhadas pelos pais, pois o objetivo é incentivar as brincadeiras em família. Como sendo um hotel localizado em área de floresta e longe do centro, o hotel atrai famílias oferecendo café-da-manhã e jantar incluídos no preço da diária. Os apartamentos são amplos, confortáveis e possuem vista para o verde em todas as direções.      

  

Serviço

Site oficial do Grupo CT

Instagram: ct.hoteles/

Facebook: ct.hoteles

Email: irene@ct-hoteles.com

WhatsApp: +55 45 9919-9836

Reservas: +55 45 3027-0022 (BR)


Assessoria de Imprensa do CT Group

SILVANA CANAL MKT

WhatsApp: 45 99971 8013

Foz do Iguaçu/PR

terça-feira, 25 de abril de 2023

Saltos do Moconá: não basta dizer que formam o "Maior Salto Longitudinal" do mundo


Jackson Lima
@jacksonzerofronteiras

Na tarde da sexta-feira, 21 de abril, o nível do rio Uruguai superior estava a cerca de cinco metros acima do normal medido por quem está a bordo de um dos barcos que fazem o passeio ao longo das quedas do Salto Moconá. Com mais água a altura dos saltos diminui. Isso significa que a altura dos saltos parecia  menor. Quanto menos água, maior a altura dos saltos chegando até os 10 metros. Ao contrário de outras cachoeiras e cataratas, o grande destaque de Moconá não é a altura das quedas  mas sim o fato delas caírem de lado ou pelo menos de um só lado de um grande rio, o  Uruguai. Isso acontece porque o leito do rio afundou e justamente em uma curva que ligeiramente lembra um "S",   criando o que se pode chamar de "falha". Do ar se vê que na cabeceira da curva, a água pende para a margem direita (Argentina). A extensão dos saltos chega a medir três quilômetros por isso o qualificativo de maiores saltos longitudinais do mundo.

Brasileiros sobre a parte seca do leito do rio Uruguai observam Moconá logo adiante dos olhos 

Tenho a impressão que este casal fez pose para esta foto
  

Chegando ao Moconá
Os Saltos do Moconá ficam dentro do Parque Provincial Moconá que é parte da Reserva da Biosfera Yaboty um conglomerado de áreas protegidas que somam mais de 200 mil hectares. O portão de entrada para os saltos é a cidade de El Soberbio cerca de 300 km de Puerto Iguazu onde está o Parque Nacional Iguazu. 
Até 2010, o acesso aos Saltos do Moconá era por barco em uma viagem de 70km partindo de El Soberbio. Logo depois foi feita uma estrada de terra até o local onde hoje está a entrada do Parque Provincial. Mesmo assim só veículos 4 X 4 faziam o trajeto de um dia. Quem chegava até El Soberbio tinha dificuldade para chegar até os saltos. Para os viajantes independentes, a única maneira era um escasso táxi  ou pedir carona o que não tem garantia de ser fácil. Sempre existiram excursões  organizadas por agências de turismo de Puerto Iguazu ou Posadas. 


Há um mês, em 24 de março, foi inaugurado uma linha de ônibus da empresa Crucero del Norte que liga a Rodoviária de Puerto Iguazu ao Centro de Visitantes (CV) do Parque Provincial do Moconá com partidas diárias às 7h e retorno por volta das 15h ou mais tardar às 16h. A linha está em experiência. O veículo utilizado é uma van de 20 lugares  que, como se pode esperar, é apertada. Porém cumpre o propósito de levar e trazer o passageiro por um preço econômico (por volta de R$ 70.00 nas minhas contas). O serviço não é só para turistas. 

No CV se pode comprar o ingresso ao Parque e o ticket para o passeio de barco. Comprar o passeio é quase obrigatório porque não há como ver os saltos se não for desde o rio. As autoridades até tentaram mudar a situação construindo uma passarela no estilo Cataratas do Iguaçu, mas o rio não aceitou destruindo-a na cheia de 2014, um pouco antes da inauguração. 

Do CV até os saltos dá para ir a pé. O embarque se dá em um porto (embarcadero) às margens do rio. Em épocas de vazão média ou baixa, uma das vistas dignas de nota é uma rocha chamada Pedra Bugre. Na data referida a Pedra Bugre estava debaixo d'água. Ela é um testemunho da resistência da rocha  às forças que erodiram o leito do rio. 

Ao longo do trajeto, o barco sobe o rio tendo à direita os saltos impressionantes com sua beleza, leveza e força e à esquerda a metade seca do leito do rio. Este lado é o Parque Estadual do Turvo (RS). Os visitantes são vistos soltos caminhando nas pedras. No lado brasileiro, o Moconá se chama Yucumã cuja CV fica na cidade de Derrubadas (RS). No dia do passeio, havia visitantes procedentes de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Mas essa é outra história.

Quanto mais alta a vazão, menor a altura dos saltos, maior a força. Por isso se chama: Mokõmba. Alguma dúvida? 
Significado

significado tradicional dado à palavra Moconá seria "traga todo" ou "o que traga tudo". Uma nota do responsável pelo Centro de Informações Turísticas de El Soberbio, Natanael Villada, traz uma luz ao significado da palavra ao lembar que o nome original pode ter sido "Mocombá". Ou na grafia oficial do guarani paraguaio "Mokõmba" onde "mokõ" significa  engolir e "mba" é uma partícula (na forma nasal) de completude, que indica algo que é feito por completo. Moconá, os saltos, são a principal atração das áreas de preservação argentinas e brasileiras neste trecho do rio Uruguai, ou Alto Uruguai para os argentinos (para os brasileiros o Alto Uruguai é bem mais para cima).

Adesivo na porta do Land Rover que promove a Ultramaratona 


Costanera de El Soberbio com vista da desembocadura do rio Soberbio no Uruguai

A guia Gloria Gómez
 A Mata ainda fala alto com pássaros, borboletas, flores e árvores milenárias  puxando a lista da fauna e da flora. Como uma Yvvyra pytã (canafistula) de cerca de 300 anos encontrada em uma das trilhas guiadas pela guia Gloria Gómez. Mais discreta à beira da trilha, Gloria mostrou uma planta chamada "horquetero" ou em português jasmim-catavento, jasmim-pipoca ou ainda  leiteiro-de-folha-fina. A guia arrancou uma folhinha de onde saia um leite que é usado para desentocar bernes, as larvas de moscas varejeiras que tanto tiraram sono das populações da área rural.  

Aos pés da Yvyra pytã gigante recebendo informações da guia Gloria Gómez

 Para chegar à trilha, é preciso fazer um safari a bordo de um caminhão Mercedes Benz Unimog 4x4 antigo com acompanhamento de instrutores de  trilhas à frente da organização da Ultramaratona Yaboty (Jabuti) que acontecerá nos dias 8, 9 e 20 de setembro. A maratona é ua das principais ferramentas para consolidar o "destino". O presidente da Comissão de Turismo de El Soberbio, Mario Pereira, lembrou que desde 2006 mais de 6 mil pessoas participaram da maratona conhecida como a "maior corrida de selva". Para ele, a corrida foi o evento que alavancou o turismo da região que antes da corrida recebia 5 mil visitantes por ano e em 2022 fechou o ano com 63 mil visitantes. 


A cidade de El Soberbio

Na praça em frente ao Centro de Informações (CAT) 

O ponto de partida para explorar a região é a cidade de El Soberbio que já conta com um bom número hotéis para todos os bolsos desde Lodges de luxo, a pousadas e hospedagens entre eles hospedagens no estilo "camping de luxo" (ver esta nota). O perímetro urbano da pequena cidade é uma surpresa entre elas a existência de uma costanera - uma avenida que beira o rio Uruguai. De uma extremidade da costaneira se pode ver a desembocadura do rio Soberbio um dos rios que desembocam no Uruguai nesta cooredanada. Os outros são o Arroio Paraíso, o Peperi Miní também conhecido como Yaboty Guazu e o Soberbio. El Soberbio e os saltos estão localizados logo à frente da desembocadura do rio Peperi Guaçu (Peperi Guazu) no rio Uruguai. A ligação da cidade com o Rio Grande do Sul é grande. "Todo mundo tem parente, tio. mãe, primo que moram no RS e vice-versa", contou Luis Orlando Pereira que nasceu em Oberá, mais para o centro da Província mas chegou na cidade com três meses. Há dificuldades de contato com o Brasil embora haja uma balsa entre El Soberbio e Porto Soberbo que é parte do município de Tiradentes do Sul. O problema é que há anos não funcionam órgãos brasileiros de controle de fronteira como Receita e Polícia Federal. Isso significa que quem entra no Brasil estará ilegal até chegar a cidades como Dionísio Cerquera (SC) ou Ijuí (RS).

Do lado argentino estão todos os órgãos e a entrada tem controle. O prefeito Roque Soboszinski que veio conversar com os jornalistas falou sobre grandes expectativas para saia uma ponte entre El Soberbio e Porto Soberbo. "Esta é a parte mais estreita do rio Uruguai", disse o perfeito que pertence a uma associação de prefeitos da fronteira Misiones-RS (CODEIM). Outra aposta segundo o prefeito é a provável inauguração da pista de pouso com uma infraestrutura mínima aeroportuária até julho deste ano. "O terreno já está aplanado, a brita já está no local. Só falta espalhar a brita e asfaltar", disse o diretor de Turismo de Soberbo Victor Motta. As permissões estão concedidas para que aeronaves de até nove passageiros operem na pista do futuro aeroporto. A parte mais difícil já está resolvida: o avião já existe e pertence a mesma empresa que opera a van colocada em serviço em março (2023)             

Prefeito Roque Soboszinski - um prefeito que recebe um famtour é raro



Algumas comunidades da galera área fazem treinamento de visualização de voo em terra. Aqui visualizo a pista de pouso que tomará conta desta "tierra colorada" (terra vermelha). Na prática inaugurei a pista.


Van que faz o trajeto diário entre Puerto Iguazu e El Soberbio na frente do Centro de Visitantes; Igressos ao Parque e Tickets para o barco se compram aqui 

N O T A S 

Acesso super fácil a tudo que tem em El Soberbio 


* "Nos anos secos a visibilidade dos saltos é superior a 50% dos dias do ano", disse Natanael Villada, do Centro de Informações Turísticas  

** Seguirão "escritos" sobre:


Confira reportagens dos colegas que participaram do PressTrip:

Katya Santos Programa Foz Mulher Foz TV
Silvana Canal - Silvana Canal Mkt
Ronildo Pimentel - Cabeza de Vaca
Adilson Borges no Instagram






sábado, 25 de fevereiro de 2023

O Kattamaram traz de volta a tradição fluvial a Foz do Iguaçu: Foz-Florianópolis navegando


Sim, Foz do Iguaçu tem marujo

Este barco é o Kattamaram III. Na foto ele está margeando o "barranco" típico do rio Iguaçu recoberto por vegetação ou seja Mata Atlântica, "Selva Misionera" ou "Bosque Atlántico del Alto Paraná", como você preferir. Quem navegou no Kattamaram III em Foz do Iguaçu, navegou. Quem viu ele no rio Iguaçu ou subindo e descendo o Paraná, viu. Não vê mais. Por quê: Simples. Ele agora é um equipamento turístico de Florianópolis, Santa Catarina, a antiga Ilha chamada Desterro. 

A pergunta mais interessante sobre este assunto hoje é: como o Kattamaram chegou na antiga Desterro, a mesma ilha em que Cabeza de Vaca aportou em 1541? De super caminhão galgando a BR-277? E competindo por espaço na BR-101? Não! O Kattamaram chegou até lá com seus próprios pés ou melhor seus próprios cascos duplos.    

Os mapas abaixo copiado do Google Maps mostra a rota. O primeiro mapa mostra o primeiro trecho entre Foz do Iguaçu e Encarnación. Na parte de cima do mapa dá para ver o azul do lago de Itaipu, Foz do Iguaçu, o contorno do Parque Nacional do Iguaçu grudado com o contorno maior da Província de Misiones. Logo à frente de Encarnação, dá para ver o lago da Usina de Yaciretá.  Identifica ele? 

A rota que o Kattamaram III fez é a mesma que centenas de barcos faziam levando erva mate de Foz do Iguaçu para Posadas e de lá para Buenos Aires e Montevideu. É a mesma rota que Moisés Bertoni fazia, levando bananas de sua propriedade até Encarnação, Bertoni usava os barcos que desciam e subiam o rio a serviço das empresas de mate argentinas, paraguaias e brasileiras.  

O Kattamaram entrou no Lago de Yaciretá e seguiu navegando em direção a Ayolas. Duas coisas sobre esse corpo de água artificial. Ele não é chamado de lago, como o Lago de Itaipu. Ele é simplesmente chamado de embalse. Este lago é enorme e fez um "arregaço" ambiental muito maior que Itaipu. Só para ter um exemplo, as área inundadas de Encarnação demandaram a construção de sete pontes dentro da cidade. A cidade até ganhou o nome de "cidade das sete pontes". Milhares de pessoas foram desalojadas. Oito mil só em Encarnação. Mais de 3 mil só na antiga Ilha de Yaciretá.  Em Cambyretá outra tacada de gente foi desalojada. 

Toda essa região é rica em "remanescentes de missões jesuítas" algo que me interessa muito.  Seguindo o "embalse-mar", o Kattamaram e todos os barcos inclusive as barcaças que saem de porto Presidente Franco que estejam navegando aí, apontam a proa na direção da "ECLUSA", a cerca de 450 km da fronteira com todas as curvas do grande rio. Falarei da Eclusa em breve. Passada a eclusa (o mapa ainda mostra as ilhas de Yaciretá e Apepu, não estão mais assim), o barco continua navegando pelo rio ainda do jeito que a natureza fez. À frente o rio Paraná vai receber o rio Paraguai que vem de Assunção, Concepción, Porto Murtinho e Corumbá. "Eu já naveguei de Foz do Iguaçu até Corumbá", confessou o Ademir, o portomeirense da navegação marítimo fluvial.     



De Foz (TriFron) até Encarnação, Ayolas

Confira os nomes dos portos ao longo do caminho (acima). Neste tamanho a maioria estão no lado argentino como Puerto Esperanza, Eldorado, Montecarlo. Se ligue em San Ignacio. É um porto. É uma cidade chamada oficialmente de Municipalidad de San Ignacio e é também a sede das "ruínas" de San Ignacio Mini. Isso mesmo estamos na Terra das Missões nos dois lados da fronteira. Estamos falando de Argentina e Paraguai. Depois de San Ignacio vem Posadas, capital da Província de Misiones e Encarnación, capital do Departamento de Itapúa, Paraguai. A partir daí a coisa a coisa fica séria. Começa o "embalse", o reservatório da Usina de Yacireta.


Dá para ver o trajeto completo

O segundo mapa mostra o trajeto completo com destaque para as cidades de Corrientes, Santa Fé e Rosário onde o rio deixa o curso  rumo ao sul, quase direto e toma rumo leste em direção ao mar. É como se a gravidade chamasse. O restante dá para ver. A passagem por Buenos Aires, já aparece Montevidéu tudo ainda Rio Paraná mas sob o nome de Río de la Plata que parece mar mas é rio até a altura de Punta del Este. Daí logo aparecerá à frente a boca do Chuí, as lagoas do Rio Grande do Sul e a Ilha de Santa Catalina com sua cidade chamada Desterro quer dizer Florianópolis. Eu tiro o chapéu em respeito aos profissionais que não só fabricaram o barco "Made in Foz do Iguaçu" como o levaram em segurança até Floripa. 

Algumas informações do passeio do Kattamaram em Floripa

Saída do píer da Beira-Mar Norte e seguindo até a Ilha dos Ratones.
Site com informações sobre o Kattamaram Florianópolis, Foz do Iguaçu, e Ciudad del Este com navegação também em Capanema (em outros barcos). Confira Material da Assessoria de Imprensa sobre a inauguração e detalhes do passeio em Floripa