terça-feira, 3 de setembro de 2024

Como os Mbya Guarani se reinventaram após serem expulsos da Ilha Yacyretá?

Foi-lhes tirada a ilha paradisíaca, mas não o espírito de luta e de reafirmação da sua identidade como povo indígena Mbya Guarani. Esta é a história dos membros da comunidade Pindó, em San Cosme y Damián, Itapúa, narrada por um de seus principais protagonistas, o poeta, escritor, professor e jornalista indígena Brigido Bogado, fundador da primeira escola indígena da região*


Professor Brigido Bogado sob uma foto que lhe rende homenagem na escola que ele fundou. Foto de Desirée Esquivel co-fundadora do El Otro País 


Por Brigido Bogado da comunidade Mbya Pindó, 
San Cosme y Damián, Itapúa, Paraguai

Era extensa a ilha Jasy retã, na região de Itapúa, onde hoje fica a grande hidrelétrica do mesmo nome, margeada pelo majestoso, pacífico e às vezes terrível rio Paraná. Lá, o povo indígena Mbya Guarani vivia pacificamente e sem muitas preocupações.

O rio Paraná oferecia peixes abundantes e variados. A densa selva que então existia forneceu seus frutos, sua rica fauna, os remédios necessários para equilibrar a alma e o corpo, porque como diziam os opygu'a (líderes religiosos), as doenças vêm nos alertar sobre a falta de harmonia, do desequilíbrio entre a alma e o corpo.

A ilha Jasy retã (ou Yacyretá, como se escreve oficialmente, mantendo a antiga grafia do guarani, que significa 'Terra da Lua') era como a Yvy Mara'e'y, a mítica Terra sem Mal, para os habitantes Mbya , aqueles que andavam nus e também seminus, porque na mente e na alma dos Mbya não havia maldade, não havia malícia ou ideia pecaminosa de andar sem roupa. Para nós, mostrar o corpo é algo natural. O corpo tem um propósito específico, reproduzir e permitir que as gerações continuem.

Sim, às vezes você podia ouvir o mbokapu (barulho de armas), música alta, talvez comemorando um aniversário. Foi exatamente isso que se percebeu naquela época, senhores. 


80% da Ilha foi inundado. Foto Museu de História Natural do Paraguai
 (Parte do que restou são as Dunas de San Cosme y San Damián) 

(

O anúncio de uma grande inundação

No grande teko'a eram realizados os ritos, no opy (recinto sagrado) liderado pelos yvyra'ija (líderes religiosos) e toda a comunidade comparecia. Este rito foi realizado no início da primavera, época em que a Mãe Natureza se reinicia em todos os aspectos.

Os líderes religiosos pediram esclarecimento e prenunciaram o que poderia acontecer. E justamente num desses ritos anunciaram que as águas do rio Paraná subiriam muito e inundariam tudo; mas não como quase sempre acontecia, que as águas subiam e depois baxavam. O anúncio dizia que desta vez a água não baixaria mais, a inundação seria permanente e nós, Mbya, teríamos que procurar outros lugares para viver.


O anúncio feito durante aqueles ritos, segundo os líderes religiosos, falava que haveria um grande estrondo nas proximidades, como se enormes raios do céu caíssem sobre as pedras, as pedras saltassem no ar e o local seria completamente e permanentemente modificado.

E foi exatamente assim. Depois de um tempo desses anúncios, vieram as enchentes, a água do rio Paraná transbordou sobre nossas terras e não recuou. As grandes explosões ocorreram e os Mbya fugiram das águas o melhor que puderam, com nossos animais, nossas canoas e outros ajudados por alguns Juru'a (não indígena), que se solidarizaram com eles.

As obras da grande barragem começaram. Em 1973, foi assinado em Assunção o Tratado de Yacyretá, para a construção do grande projeto hidrelétrico. De acordo com as leis, deveria ter sido feito um trabalho prévio com os habitantes originários da ilha, para proceder a sua  transferência, mas tal coisa nunca aconteceu com os Mbya. Se aconteceu com muitos não indígenas, os Juru'a, que sabendo o que iria acontecer, construíram casas precárias, fizeram plantações e criaram alguns animais domésticos, para depois serem indenizados, como se fossem os antigos habitantes da ilha.

Nada disso aconteceu com os Mbya. Os membros do meu povo tiveram que deixar a ilha à força. Fomos expulsos. Algumas famílias mudaram-se para terras argentinas, onde também havia alguns colonos Mbya. Outros se estabeleceram nos arredores da cidade de Ayolas. Outras famílias partiram para San Ignacio, Santa María, San Juan de Misiones. Outros emigraram para a zona do alto Paraná e Itapúa, onde ainda existiam montanhas e territórios virgens, todos de influência Mbya. Suas rotas eram extensas e cobriam grandes áreas.

Ajuda solidária

Na década de 1980, após o início da construção da barragem, algumas pessoas se interessaram pela difícil situação de abandono em que viviam as famílias Mbya perto da cidade de Ayolas, Misiones e outros locais próximos da barragem.

Muitos dos que foram expulsos da Ilha de Jacyretá sobreviveram por conta própria, em situações muito precárias, sem ter moradia própria. Esta realidade chamou a atenção dos membros da Equipe Nacional de Missões, da Conferência Episcopal Paraguaia (CEP), organização que vinha trabalhando na assistência aos povos indígenas.

Desta forma, com autorização do então bispo de Encarnação, Dom Juan Bockwinkel, os Mbya afetados pela construção da barragem passaram a trabalhar com o coordenador da equipe, o padre Wayne Robins, a advogada Mirna Vázquez, já falecida, que era especialista em direito indígena e outras pessoas.

Da região de Itapúa, Crescencia Carísimo e o autor desta nota, Brigido Bogado, juntaram-se à equipe.

A primeira coisa que fizemos foi um censo para registar todas as famílias e pessoas Mbya que estavam na região, expulsas das suas terras e abandonadas pelas autoridades.

Muitas reuniões foram realizadas com os líderes. Muitos deles não queriam saber nada sobre como lidar com a papelada, pois diziam, a partir de sua visão de indígenas: “Ñande Ru kuery (nossos deuses) nos colocaram nestas terras para viver e nos desenvolver livremente”. Nada mais era necessário para eles.

Depois de muitas conversas, um grupo concordou em realizar os procedimentos que os membros da Equipe de Missões aconselharam a fazer junto às autoridades da Entidade Binacional Yacyretá, responsável pela construção da barragem. Foi um longo processo para eles reconhecerem que havia famílias Mbya que viviam na ilha antes da construção da hidrelétrica, que nunca foram levadas em conta, que foram expulsas arbitrariamente.

Por fim, reconheceram oficialmente 28 famílias como ex-habitantes. A EBY concordou em comprar cerca de 425 hectares de terras de dois proprietários que concordaram em vender, para localizar as nossas famílias, nos arredores da cidade de San Cosme y Damián.

Em Outubro de 1989, poucos meses após a derrubada do governo do General Stroessner, entramos nas nossas novas terras. Decidimos dar à nossa nascente comunidade o nome de Pindó, que corresponde a uma palmeira tradicional da região (nome científico: Syagrus romanzoffiana), que para os Mbya é uma planta muito especial, porque utilizamos todas as suas partes, o tronco, o folhas, os frutos, tanto como alimento como para nossas construções, bem como para fabricar implementos, utensílios, artesanato, etc.

O presidente que derrubou o ditador Stroessner, o general Andrés Rodríguez, veio visitar a nossa comunidade e nos deu o título de propriedade dos 425 hectares, com o qual conseguimos garantir que não poderiam mais nos tirar essas terras. Rodríguez também inaugurou a escolinha indígena que construímos e da qual fui o principal divulgador e o primeiro professor indígena, tanto que no início funcionou na minha casa, onde dava aula para as crianças, até que conseguimos construir uma sala de aula. Nossa escola, que cresceu muito nesse tempo, é a primeira escola indígena que começou a funcionar em todo o Departamento de Itapúa.

Grupo de Teatro Yvy Mara'e'y  da Comunidade Pindó

Uma comunidade modelo

Depois de ficarmos muito tempo sem terra, abandonados, morando de qualquer forma em qualquer lugar, finalmente tínhamos um novo lugar para construir nossa comunidade como povo indígena. Havíamos sido expulsos da nossa ilha paradisíaca, mas tínhamos novamente um lugar que era legalmente nosso, não tão grande quanto a nossa cultura exige, mas importante para seguirmos em frente.

A Comunidade Pindó está localizada a 368 quilômetros ao sul da capital Assunção, a 78 quilômetros de Encarnación, capital do departamento de Itapúa e a 18 quilômetros das cidades de San Cosme e San Damián. A estrada pavimentada que leva a San Cosme passa pela nossa comunidade.


Atualmente são 46 famílias morando em Pindó. Temos serviço de electricidade, pagamos o consumo, embora acreditemos que deveria ser gratuito para os Mbya, como reparação por nos terem expulsado da nossa casa, para a construção da barragem.

Ao lado da estrada que leva a San Cosme y Damián

Pindó vem se organizando, buscando ser uma comunidade indígena modelo no resgate de nossas tradições ancestrais, embora ainda precisemos realizar muitas conquistas. Nossas famílias se dedicam à agricultura e aos trabalhos esporádicos, já que os indígenas nunca recebem o que está estipulado na lei. 

Procuramos oferecer alternativas ao turismo, principalmente com o artesanato que nossos avós nos ensinaram. Hoje contamos com artesãos hábeis de nossa comunidade que fazem lindos trabalhos de escultura em madeira kurupika'y, cedro peterevy, folhas de pindó, além das linhas de cestaria Mbya com tiras de takuarembo, ñandypa e guembe. As amostras esculpidas em pedaços de madeira recriam figuras de diversos animais e outros objetos, que ficam expostos em barracas de vendas ao longo do percurso, bem como em feiras periódicas em locais turísticos.

Um fator muito apreciado é que os meninos e meninas de Pindó formaram um Coral e um Grupo de Dança, conhecido como Teko Marãe'y, que tem feito apresentações bem sucedidas em feiras internacionais do livro, festivais, eventos acadêmicos e turísticos.

Em nossa escola aprendemos desde a pré-escola até o primeiro ano, com professores indígenas e não indígenas. Temos muitos jovens, meninas e meninos, que estudam na universidade e trabalham no comércio. No meu caso particular, além de poeta e escritor, professor, membro da Sociedade Paraguaia de Escritores (SEP), publicando livros, pude concluir meus estudos de jornalismo na Universidade Católica de Encarnación, percorrendo os 78 quilômetros até lá e depois retornando à, comunidade, no meio da noite. Dessa forma sacrificada, em 2021 me graduei com honras, tornando-me o primeiro indígena Mbya Guarani a ser formado em Ciências da Comunicação, com ênfase em Jornalismo. Hoje me alegra fazer parte da equipe de jornalismo do El Otro País como colaborador e assessor nas questões indígenas.

O artesanato é um importante modo de preservar a cultura e ajudar economicamente 



Podemos afirmar que a qualidade de vida que os habitantes originários da Ilha Jasy Retã tinham, antes da construção da barragem, infelizmente ficou para trás, pois a extensão de terra onde hoje está localizada a nossa Comunidade já não possui as riquezas naturais que costumavam ser abundantes, como os peixes variados, os frutos abundantes das montanhas, a fauna variada e o céu imenso respirando ar de liberdade, mas mesmo assim nos organizamos para sustentar uma comunidade que busca resistir às mudanças culturais e seguir em frente, mantendo viver a nossa identidade Mbya, adaptando-nos aos novos tempos, mas sem esquecer o que os nossos antepassados ​​nos deixaram. 

É o espírito das soluções com as quais procuramos responder à situação dos povos indígenas, que continua crítica em diversas regiões do país.

Repórter do Canal 8 com o professor e jornalista mbya Brigido Bogado e a artesã Irma Cabral com uma de suas peças



Notas:
* Abertura de Andrés Colmán Gutiérrez
Com exceção da primeira foto da jornalista Desirée Esquivel e a foto da Ilha, as demais fotos são do acervo no Facebook do professor Brigido Bogado. San Cosme y Damián é um município do Departament de Itapúa, Paraguai que abriga a antiga Missão Jesuita de San Cosme y San Damián onde a igreja principal funciona até hoje. A missão é uma das sete altamente preservadas que formam o patrimônio cultural do Paraguai. Duas são patrimônio mundial / UNESCO  
Postado originalmente em 29 de abril de 2022 - Artigo original




sexta-feira, 30 de agosto de 2024

A popular Argentine version of the Legend of Naipi and Tarobá in which the actors are Guarani (III)

Legend has it that many years ago, a giant and evil serpent called Mbói lived in the Iguaçu River. It was so monstrous and selfish that it demanded an offering from all the people who lived around this river of "big water". The Guarani inhabitants had to sacrifice a beautiful maiden once a year as an offer. They had to throw her into the river so that the animal would not cast its terrible curses on them.

All the members of the tribes around  were invited to this ceremony, because the river was so populated that it allowed several villages to develop.

And so it was that one year a long-haired native maiden called Naipí was chosen to be given as a sacrifice. At the same time, a young chief called Tarobá came to be the head of her tribe.

The brave young man, upon meeting Naipí, fell in love with her. And his love was so great that Tarobá rebelled against the elders of the tribe. Desperately, he tried to convince them not to sacrifice Naipí. However, all his efforts were in vain. The people's fear of the river monster was greater than Tarobá's sincere pleas.

So, to save Naipí on the night before the sacrifice, the young chief took Naipí to his canoe and they tried to escape down the river. At that moment, Mboi, who saw everything, became furious and split the riverbed with his back.

This is how the Falls were formed, where the lovers ended up trapped. As if that were not enough, the cruel snake decided to separate the couple forever. He turned Tarobá into a tree, which can still be seen at the top of this landscape today. Meanwhile, Naipi was transformed into a powerful cascade of the waterfalls.

The legend goes on to say that Mbói remains submerged in the Devil's Throat, ever watching to make sure that the lovers never meet again. They say that every time a rainbow appears on the horizon, it means that Tarobá and Naipí will reunite, at least as long as its collors remain in the  l sky.


quinta-feira, 29 de agosto de 2024

¿Por qué es importante estudiar las leyendas guaraníes? / Mba’érepa iñimportante jastudia umi leyenda guaraní?

 

Texto provisório

¿Por qué es importante estudiar las leyendas guaraníes?

El conocimiento de las leyendas y mitos paraguayos también es muy importante para los investigadores y estudiantes brasileños.

La razón es que las leyendas y los mitos intentan responder preguntas difíciles sobre el origen de las cosas.

Leyendas como la de la yerba mate, el maracuyá, el tereré, la mandioca son muy interesantes y nos deja ver si pueden ser comparadas  o no.

También es interesante estudiar la mitología guaraní de los Mbya, de los Tavyterã y de los Ñandeva sobre la creación del mundo.

Es ampliamente estudiado en Brasil por los indígenas de cultura guaraní y por los no indindígenas, en antropología y etnología. Se usa mucho la obra de León Cadogan que se llama Ayvu Rapyta.

Ahora mismo hay una profesora mbya guaraní cursando un doctorado en la Universidad Federal de Santa Catarina. Su tesis es transferir el Ayvu Rapyta de la antigua lengua Mbya al actual Mbya.

Este trabajo se realiza en consulta con pajes y sabios de la aldea. Es muy estricto.

En la región de las Tres Margenes faltan leyendas o mitos que expliquen el origen del Salto Monday.

Existe una leyenda en el lado brasileño, supuestamente guaraní, que intenta explicar la historia y origen de las Cataratas del Yguasu.

Pero todo nos hace sospechar que esta leyenda no es original. La leyenda habla de una pareja enamorada.

El nombre de la joven es Naipi (Naipy) y el nombre de su futuro esposo es Tarobá.

¿Puede haber un novio llamado Tarová? Otro problema, la leyenda dice que Naipi y Tarobá son kaingangs. Otra tribu.


 Pero el nombre de la deidad Kaingang es guaraní: Mbói. Los ancianos dicen que la palabra Tarova originalmente era Itarova. ¿Los brasileños cambiaron la palabra?

Este es un ejemplo de la búsqueda de la verdad sobre una leyenda que se dice guaraní.

Gracias


Mba’érepa iñimportante jastudia umi leyenda guaraní?

Avei tuicha mba’e umi investigador ha temimbo’e brasileño-pe guarã oikuaa haguã leyenda ha mito paraguayo.

Umi mombe’upy ha mombe’ugua'u oñeha’ã ombohovái porandu hasýva umi mba’e ypykue rehegua.


Umi leyenda ha’éva ka'a, mburukuja, terere ha mani'o iñinteresanteterei ha oheja jahecha ikatúpa ñambojoja térã nahániri.

Iporã avei ñahesa’ỹijo guarani mombe’upy ha mombe’ugua'u Mbya, Tavyterã ha Ñandeva rehegua ko yvy apo rehegua.

Oñemoarandu heta Brasil retãme umi indigena guaraní reko ha umi ndaha’éiva indigena, antropología ha etnología-pe. Heta ojeporu León Cadogan rembiapokue hérava Ayvu Rapyta.

Ko'ágãite oî mbo'ehára mbya guaraní omotenondéva doctorado Universidad Federal de Santa Catarina-pe. Itesis ha'e ombohasávo Ayvu Rapyta mbya ñe'ẽ yma guarégui mbya ko'ágãguápe.

Ko tembiapo ojejapo ñomongeta paje ha karai arandu tavaygua ndive. Ha'e estrictoiterei.

Región Mbohapy Rembeype (Tres Margenes/ Tres Fronteras-pe) ndaipóri leyenda ni mito omyesakãva origen Salto Monday.

Oî peteî leyenda lado brasileño, supuestamente guaraní, oñeha'ãva omyesakã tembiasa ha origen Cataratas Yguasu.

Ha katu opa mba’e ñanemo’ã jasospecha ko leyenda ndaha’eiha original. Pe leyenda omombe’u peteĩ pareja ojoayhúvare.

Kuñataĩ héra Naipi (Naipy) ha iména oútava héra Tarobá.

¿Ikatu piko oĩ peteĩ novio hérava Tarová? Ambue problema, leyenda he'i Naipi ha Tarobá ha'eha kaingang. Ambue tribu.


 Pero el nombre de la deidad Kaingang es guaraní: Mbói. Umi ansiáno heʼi pe palávra Tarova haʼe hague iñepyrũme Itarova. ¿Omoambuépa umi brasilerokuera upe ñe'ê?

Kóva ha’e peteĩ techapyrã ojehekávo añetegua peteĩ mombe’upy rehegua hérava Guarani.

Aguyje

Reunião da Unesco para discutir o Patrimônio Imaterial será em Assunção em dezembro

 

As práticas e saberes do uso de plantas medicinais no tereré é Patromônio Cultural Mundial parte da Lista da UNESCO e este saber só o Paraguai e os guarani têm 

Com setembro chegando e já quase dobrando a esquina, se acelera a contagem regressiva para a 19ª Reunião Intergovernamen­tal do Patrimônio Cultural Intangível (Imaterial) da UNESCO em Assunção, Paraguai entre 2 e 7 de dezembro deste ano. 

São esperados 1500 participantes. Neste evento serão declarados alguns novos  patrimônios intangíveis propostos por pelo menos 50 candidatos.  O Paraguai quer incluir o gênero musical Guarânia na lista do Patrimônio Intangível. Com 1500 participantes as Cataratas do Iguaçu que se encontram dentro de dois Patrmônios Naturais (Parques Nacionais) serão visitados.   

O evento, organizado pela UNESCO Montevidéu em conjunto com a Secretaria Nacional de Cultura do Paraguai e o Centro Regional para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da América Latina (CRESPIAL) e com o apoio da Rede de Cooperação Acadêmica em Patrimônio Cultural Imaterial da América Latina América e o Caribe (ReCA PCI LAC), focará na natureza intersetorial do patrimônio cultural imaterial e na capacitação em patrimônio cultural imaterial no país.

Bens culturais paraguaios declarados Patrimônio Intangível

1) Práticas e saberes tradicionais do Tereré na Cultura do Pohã Ñana (2020)

2) Técnicas Ancestrais e Tradicionais para a elaboração do Poncho Para'í de 60 linhas de Piribebuy (2023)

3) Guarânia - candidata para 2024


Só Para informar 

Bens intangíveis Unesco no Brasil

Expressões Orais e Gráficas dos Wajãpi (2008)

Samba de Roda do Recôncavo Baiano (2008)

Frevo, artes performáticas do Carnaval de Recife (2012)

Círio de Nazaré na cidade de Belém, Pará (2013)

Roda de Capoeira (2014)

O Brasil incluiu para apreciação em 2024 as Maneiras tradicionais de fabricação artesanal do queijo miniero  de Minas Gerais   

Bens intangíveis na lista da Unesco na Argentina


  • O Tango (2009)

  • O filete porteño - Técnica Pictórica (pintura) Tradicional (2015) 

  • O Chamame  (2020)

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Guias, piranhas, falsos guias ou agentes autônomos de hotelaria

Ainda existe a AHTA?

Os guias de turismo do Brasil, em geral, ficam muito chateados quando são chamados de "guia turístico". 

"Nós somos guias de turismo. Guía Turístico é um 📕 livro ou guia de viagens", esclarecem protestando. 

A Polícia Rodoviária Federal em Foz do Iguaçu fez uma operação para interceptar "falsos guias" que interceptam turistas em seus veículos. A operação ocorreu nas proximidades da Ponte Internacional Tacredo Neves ou Ponte da Fraternidade. "Falsos guias" é mais um termo para a coleção da fronteira. Para ser guia é necessário ter feito um "curso técnico em guia de turismo", ter um crachá expedido pela instância federal e ter registro no Cadastur - Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos.

E o "falso guia turístico" ou "falso guia de turismo", quem é? O termo falso guia começou nas cabeceiras da Ponte Internacional da Amizade. O verdadeiro falso guia era uma pessoa que abordava "turistas compristas" na entrada da área comercial de CDE e os levava a lojas onde tudo estava preparado para assaltar o turista. 

O falso guia ligado ao crime irrita os guias de turismo e pega mal para dezenas de jovens, homens e mulheres que entregam folhetos e propaganda para quem entra no país. Tenho notado que o controle deles está bem mais rígido. Os bons estão bem tímidos.

E o falsos guias que a PRF está caçando? São pessoas com certo nível de empreendedorismo que possuem uma moto e abordam veículos que entram no Brasil por uma das pontes e oferecem os seus serviços. Que serviços? Isso faltou divulgar. 

São ainda os "agentes de hotéis e turismo autônomos" de antigamente? Os agenciadores autônomos de hoteis tinha várias categorias. 1) Ficavam em pé nos cruzamentos e semáforos como o do atual JL shopping ou na esquina da JK com República Argentina. Eles tinham em mãos um calhamaço de panfletos de hotéis. 2) Os que se deram bem investiram em veículos de duas rodas movidos a pedal e costumavam pedalar na frente do veículo e os deixar em hotel que lhes repassavam uma comissão. 3) Os inspiradores do "falso guia" da caça atual, investiram em motos. Os ageciadorres tinham até uma associação (confira o link acima). 

Com o tempo as coisas mudam e permanecem iguais a como sempre foram. Foz já teve os "piranhas" substantivo de uso exclusivo masculino. Eram "falsos guias" por não terem crachá (e quem tinha?) nem terem agências por trás deles. No tempo dos voos VTDs, em pleno gestão militar das coisas, os guias de turismo, eu fui um deles, levava os turistas ao Paraguai ou Argentina e, na volta da viagem, recolhia todas as notas fiscais dos passageiros e ajudavam fazer declarações de bagagem. As notas eram cuidadosamente guardadas. Dias depois, essas notas eram levadas às lojas que calculavam a comissão do guia. Este era o papel do guia gente fina. O guia e a loja tinham pacto a ser respeitado. 

E o papel dos guias piranhas? Era basicamente roubar as notas dos guias gente do bem. Para isso, bastava o guia deixar de vigilar, e um piranha convencia ao passageiro a deixá-lo fazer a declaração.       

Havia piranha feminina no turismo de então? Havia! Eram em menor quantidade. Mas ninguém ousava chamar uma guia piranha de piranha. O ofensor poderia se dar mal. Motivo as nuances do idioma e da cultura. 

E a piranhagem ou piranhice era coisa de países atrasados ou subdesenvolvidos como dizem os cidadãos nacionais com exceso de complexo de vira-lata? Na América do Norte e na Eurpoa abundavam. Eles estavam na categoria, que no linguajar do turismo se chama "TC", traduzido como Tour Conductor. 

O TC é o guia internacional que sai com o grupo desde Nova York, Los Angeles, Berlim e outras capitais mundiais. Ao chegar no Brasil, por exemplo, os turistas recebem um guia local. Quando vem para Foz, um guia local assume. 

O TC honesto colaboraria com o guia local, daria apoio se necessário mas o deixava fazer seu trabalho. Mas o TC Piranhista Intercontinental se intrometeria no trabalho e ia ele proprio reivindicar comissão em restaurantes, em passeios, voos, tudo que entrasse na categoria "opcional" quer dizer não incluído no voucher e melhor de tudo em joalherias. O Brasil também manda TCs para fora acompanhando grupos. Será que eles se comportam? 

Portanto, para encerrar minha pergunta a PRF, a PF, às autoridades é: o que os falsos guias estão oferecendo? Excursões, não é. Passeios, só se forem passeio comissionáveis. Aí volta a questão de antigamente: quem se beneficia com o trabalho deles? Peço que as autoridades estudem com carinho a situação dos trabalhadores informais do turismo. Há propostas dos candidatos para todas aquelas pessoas que estão vendendo água mineral, capa de chuva, capa de celular, lembranças na frente de atrações e atrativos como o Centro de Visitantes do PNI? Parque das Aves? E futuramente na frente do Aquário? Incluo na pergunta os guias de turismo com crachá que trabalham naquela região da cidade aclmada como mina de ouro.  Mas aí já é outro assunto               


segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Palavras do Bispo de Puerto Iguazú, Mons. Nicolau Baisi sobre os Peregrinos de Santa María del Iguazú

Depois da missa  bispo conversa com fiéis
 (aqui com uma criança)  


Conversei rapidamente com o bispo da Diocese de Puerto Iguazú, Monsenhor Nicolau Baisi sobre a celebração do Dia de Santa María del Iguazú, que inclui uma peregrinação que tem a participação de centenas de fiéis que vem caminhando a noite toda de Puerto Libertad até o Santuário da Virgem Morena, a Nossa Senhora do Iguazú. Além dos que caminharam centenas de pessoas de paróquias de Puerto Iguazu, trabalharam para que tudo desse certo. O bispo disse, ao pé da letra: 

"Es una muy linda demostración de fe, los peregrinos han hecho un esfuerzo grande viniendo desde Puerto Libertad que son unos 40 kilometros, poco más, toda la noche han caminado, subiendo, bajando, una gran manifestación de fe. Han llegado acá, rezado, algunos se quedan todavia más tiempo para participar en la misa central, que nos acompañó el Monseñor Bitar, el obispo de Oberá, y la verdad que es clima de fe maravilloso, la gente rezando en paz, en silencio, en oración en profundidad, una gran fiesta de Dios"   

Português

"É uma demonstração de fé muito bonita, os peregrinos fizeram um grande esforço vindo de Puerto Libertad, que fica a cerca de 40 quilômetros, um pouco mais, caminharam a noite toda, subindo e descendo, uma grande manifestação de fé. Eles vieram aqui, rezaram, alguns ficam ainda mais para participar da missa central, que nos acompanhou o Monsenhor Bitar, bispo de Oberá, e a verdade é que é um clima de fé maravilhoso, gente rezando em paz, em silêncio , em profunda oração, uma grande festa de Deus"

Avañe'ẽ / guarani

"Ha’e peteĩ jerovia jehechauka iporãitereíva, umi peregrino oñeha’ãmbaite oúvo Puerto Libertad-gui, ha’éva 40 kilómetro rupi, sa’ive, oguata hikuái pyhare pukukue, ojupívo, oguejy, tuicha jehechauka jerovia rehegua. Oúma hikuái ko'ápe, oñembo'e, oĩ opytáva areve jepe oparticipa haguã misa central-pe, oremoirũva'ekue Monseñor Bitar, obispo Obera-gua, ha añetehápe ha'e peteĩ clima hechapyrãva jerovia reheguáva, gente oñembo'éva py'aguapýpe, kirirĩháme , ñembo’e pypukúpe, peteĩ Tupã arete guasu"

 

Minha cobertura da Peregrinação de Santa María del Iguazú, foi uma pregrinação

Camila Christ de Garuhape. Misiones
(Clique nas fotos para ampliá-las)


Foto da Missa Central (10h) celebrada pelos bispos de Puerto Iguazú e de Oberá. Foto cortesia da Diocese de Puerto Iguazú 
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Assista o vídeo: Canção oficial da Devoção a Santa María del Iguazú

Alô amigos das Região Trinacional RETRI, Três Fronteiras, Três Margens (Mohapy Rembe'y) etc. Ser Tri-fronteiriço não é fácil. Muita coisa a gente não sabe que existe. E quando descobrimos que existe, dá uma preguiça para ir lá e testar. Especialmente para profissionais e amantes da comunicação. Não há financiamento ou dinheiro. O transporte é difícil especialmente quando o comunicador não tem carro. O transporte público em cada lado da RETRI tem suas dificuldades e quando juntamos os três o problema é Tri. Para chegar até o Santuário da padroeira da Diocese de Santa Maria do Iguaçu e cobrir as atividades da peregrinação que já acontece há mais de 30 anos, passei pela minha própria peregrinação.

De casa, fui até o ponto (parada) de ônibus. Esperei 15 minutos. Fui até o Terminal de Transporte Urbano (TTU), uns 20 minutos de viagem. No TTU, fui até o ponto de ônibus do transporte local urbano trinacional ou internacional. Onde passa o ônibus que sai das proximidades da Ponte Internacional da Amizade Brasil-Paraguai. Aí esperei um hora. Quando o ônibus chegou, havia umas 15 pessoas no ponto comigo. Brasileiros, russos, espanhóis, paraguaios e um peruano. 
Milagrosamente não havia um carro sequer para atravessar a Ponte Tancredo Neves (Internacional da Fraternidade Brasil-Argentina). Passar na Aduana-Migração foi fácil. Uma vez em Puerto Iguazú, desembarquei na primeira parada na Avenida Victória Aguire. Daí comecei a andar em direção às Cataratas. 

Milagros Duarte, Daniela Andino, Ludmila Caffara e Enzo Yunis de Caraguatay

Para mim a entrada para o Santuário era uns 100 metros à frente pegada ao condomínio hoteleiro das 200 hectares. Mas logo descobri que estava errado. Porque ao lado da área hoteleira da Selva Yryapu, estão as comunidades Mbya de Yryapy e Jasy Porã. 
Quase um quilômetro à frente encontro um senhor que me mandou andar mais um quilômetro. E daí virar à esquerda por mais um quilômetro até a beira do rio Iguaçu/Iguazú. Depois de passar aquela estrutura onde a Polícia Municipal de Trânsito cobra "pedágio" para turistas que entram em Puerto Iguazú, encontro uma fila de ônibus.  
Desconfiei que eram ônibus que levariam os peregrinos de volta para seu municípios. 
Nisso, vi que descia do ônibus uma jovem, mancando, pedi licença para abordá-la e perguntei se ela era peregrina. Rimos um pouco da situação de estar mancando. 

Ela disse que já tinha estado no Santuário quando chegou pelas 6h da manhã e que estava indo até a entrada por que lá havia estrutura de banheiros e atendimento. Ela disse que eu podia acompanhá-la. O nome dela é Camila Christ de Garuhapé. Oi Camila!  

Ela contou que de Garuhapé até Puerto Libertad veio de ônibus com o grupo de jovens. De lá caminharam a noite toda. Pedi que ela escrevesse seu nome no meu caderno. Depois perguntei se podia tirar uma foto.

 Uma placa na entrada confirma: um quilômetro. No caminho fui conversando e conhecendo gente. Pedi que quatro jovens, adolescentes, anotassem seus nomes no meu caderno que por esta hora já estava ficando famoso. E mais uma foto do grupinho de Caraguatay. Ele apostaram que eu não saberia onde fica a cidade deles. Eu perguntei: não é a terra do Bairuzú? Não acreditaram. 
Quando cheguei no desvio da estradinha que leva ao Santuário, muita gente estava saindo. Havia acabado a Missa Central das 10h. Mesmo assim fiquei lá. 

Arquibancadas sob as árvores são parte do Santuário 

Foi quando escutei a cantora Paola Sinvero, começar a cantar a música que para mim é a canção oficial desta devoção à Santa Maria del Iguazú. Depois ela anunciou que a missa das 12h começaria em 15 minutos. Comecei a andar para descobrir o Santuário formado por arquibancadas de pedra onde acontecem as missas. 
Uma Igreja dedicada a esta devoção de María exibe, na entrada, o símbolo dos jesuítas e uma série de espaços para receber pessoas que participam dos Exercícios Espirituais realizados ali segundo a tradição jesuíta já que os exercícios foram escritos por Santo Inacio de Loyola, fundador da ordem.
 A estrutura foi construída durante o governo do Bispo Piña, da congregação Jesuíta. Hoje, a administração é da Diocese (Diocesana) e a estrutura para os exercícios e contemplação continuam à disposição dos fiéis (depois falamos disso).


Passado o meio dia, comecei ficar preocupado pois eu deveria andar tudo de volta e andei.  Descobri uma mesa onde havia expostos artesanatos católicos entre eles a imagem de Santa María del Iguazú. Eram pessoas da Paróquia Cristo Redentor. Enquanto conversava uma das senhoras me ofereceu um prato, onde havia uma porção generosa de um "guiso comunitário". 
A fome e o medo de voltar desmaiando, desapareceram: literalmente providência divina. A entrada para o Santuário fica na frente do Guira Oga e a poucos metros da divisa do Parque Nacional Iguazú.  

A providencial marmita do "guiso" comunitário


Devoção à Santa María 



Ave Santa María del Iguazú
Santa María do Iguaçu
1626 - 2026  
(400 anos da fundação da Missão Santa María do Iguaçu nas Cataratas. Vamos lembrar? 


Próxima publicação:

 

sexta-feira, 16 de agosto de 2024

Hoje é Dia de Santa María del Iguazú, padroeira da Diocese de Puerto Iguazú

 

Em 1991 ou 1992 fiz uma reportagem sobre o santuário de Santa Maria del Iguazú localizado próximo à beira do rio Iguaçu, lado argentino, para o jornal The Informer - um jornal em inglês que editei com a ajuda de alguns amigos. Neste domingo, dia 18 de agosto, volto ao Santuário desta vez para rever o local, que não visito desde a reportagem do The Informer e acompanhar as atividades de celebração da data.  

Hoje, é o Dia oficial desta advocação de Maria nascida em Iguazu. Santa Maria del Iguazu é a padroeira da Diocese de Puerto Iguazu com jurisdição sobre os departamentos de Eldorado, General Manuel Belgrano (Bernardo Irigoyen / Andresito), Iguazú, Montecarlo, San Pedro e Libertador General San Martín (Puerto Rico).  

Em 2001, me chegou uma noticia de que a estátua talhada em madeira de lei pelo escultor Rodolfo Allou e que eu havia conhecido em 1992, tinha sido roubada, vandalizada, picada com machado e incendiada na beira do rio que vem das Cataratas. 

Os autores do crime de intolerância nunca foram descobertos. A imagem atual que representa a Santa Maria com expressão indígena, notadamente guarani, que mostro aqui e que mostrateri com fotos novas no domingo, é uma réplica da original feita pelo escultor Nelson Leopoldo Segovia da paróquia e da diocese. Mais sobre o santuário atual, depois de domingo.    


Restos de madeira queimada... o que sobrou da imagem original da Virgem Santa Maria do Iguaçu. Foto postada por Alicia Segovia, irmã do escultor da estátua atual

Nota

Santa Maria del Iguasu foi o nome de uma povoação (Missão) jesuita fundada perto das Cataratas que teve milhares de moradores. Esta fundação completará 400 anos em 2026. Em andamento prepraro para comemorações. Hoje a área conhecida como Três Fronteiras ou Tríplice Fronteira, já teve uma Tríplice Missão: Cataratas, Monday e Hernandárias.  

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Avenida Paraná em Foz está oficialmente desabitada (não tem nada nela)

 

Avenida Paraná entre a Nelson da Cunha Jr e a Padre Bernardo Plate. Click nas fotos para ampilar

A Avenida Paraná uma das mais bonitas de Foz do Iguaçu começa no Trevo do Boici (como se escreve Boici mesmo?) e prossegue até um pedaço da Vila A. 

Mas entre o shopping Cataratas JL e o viaduto que dá acesso à Vila A, a avenida não tem oficialmente nenhuma casa, nenhuma habitação, nenhuma instituição ou negócio. 

A sede da 6ª SDP, do IML, da Receita Federal, do Hospital Municipal, do INSS,  a sede do CESUFOZ se encontram na rua Nelson da Cunha Júnior que é uma marginal da Avenida Paraná. Isto significa que a sede da 6ª SDP e todas os órgãos mencionados não estão na Avenida Paraná. 

Já no outro lado, começando no Shopping JL e indo até e passando da Polícia Federal, o nome da rua onde estão o DETRAN, o MAPA (Ministério da Agricultura), o Colégio Barão do Rio Branco e a APAE é Padre Bernardo Plate.


Não é o unico caso 

 6ª SDP
A mesma coisa acontece no Parque Imperatriz. O Rafain Palace Hotel & Convention que antigamente a gente chamava de Rafain BR não fica oficialmente na BR-277. Fica na Avenida Olímpio Rafagnin. Ora, é preciso cacife histórico para ter um hotel Rafain na rua Olímpio Rafagnin (Parabéns).

No lado contrário da BR-277 está a rua Sérgio Gaspareto. Tanto a Avenida Olímpio Rafagnin como a Rua Sérgio Gaspareto hospedam muitas empresas como hotéis, pousadas e empresas do ramos de logística de caminhões, carga e assistência técnica, que podem dar seus endereços como se estivessem na BR-277.    

O problema também existe na Avenida Costa e Silva. Em um dos lados e parte do trecho a rua marginal se chama Edgard Schimmelpfeng. Entre os endereços famosos da Rua Edgard Schimmelpfeng, estão a sede da Secretaria Municipal de Segurança Pública, a Retimaq, Visk Palace Hotel e a Náutica Neri. 
No outro lado, a rua se chama Elfrida Engel. Haja trabalho para carteiros, taxistas, entregadores e qualquer pessoa que procure um endereço. E isso sem falar que após descobrir a rua, descobre-se também que as casas não têm número.    

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Mandas-chuva de Meio Ambiente : arriéro japu lorito ( Mais mentiroso que um periquito))

Casal de galinhas d'água perdidos no barro sem entender para onde foi o nicho especializado de  gramas e camalotes para fazer seus ninhos

Ola amigos das Três Fronteiras ou Tríplice Fronteira
O que tenho ouvido sobre ações para proteção do Meio Ambiente nos últimos dois meses, por exemplo, são tão mentirosas que me fez lembrar um ditado guarani-castellano (jopará) do Paraguai: Arriéro japu lorito". 
Alguém observando um senhor falando, traduziu a cena com o ditado que significa mas ou menos "esse cara é mais mentiroso que, ou tão mentiroso quanto um periquito ou "lorito". E não é só no nível municipal. 
Algumas notícias que não gostei: 
Governo vai dragar rios Solimões e Madeira por causa da seca. Prefeita de Paris nada no rio Sena para confirmar que a França limpou o rio para a olimpíada.  
Brasil vai construir maior rio artificial do mundo. Essa de rio artificial viralizou. A China,  Egito e Paquistão também estão nessa.  
Mas nesta postagem quero me concentrar no "arriério japu lorito" iguaçuense e com isso prestar minhas homenagens ao rio Monjolo e deixar registrada minha preocupação em relação a ele.  

As duas primeiras fotos que seguem mostram a estrutura construída a partir de 2020 cujo propósito não foi muito claramente anunciadpo. Eu chamei em uma postagem de 2021 de barca, batelão ou arca ao contrário. O nome técnico que me chegou aos ouvidos  então era  "dissipador de energia".  Visitando o Parque Monjolo há pouos dias fotografei com destaque uma placa onde a equipe faz uma pergunta: Você sabia? Leia a frase inteira por aí está ocorrendo um fenômeno interessante. É a explicação de que o dissipador de energia está mudando o status do lago. Diz, "o Lago Monjolo é também uma bacia de contenção. Ele auxilia na redução de alagamento e não sobrecarrega o rio Monjolo". 
Aqui acontece a uma coisa importante. A próxima "frase" é um xingamento de leve que transfere a culpa pela existencia da arca ao cidadão em geral pois sem dizer quem é o acusado acusa a todo mundo afirmando: "O resíduo descartado de forma irregular vem parar aqui". 

É uma transferencia de culpa que não explica por que o residuo chega por este caminho até o Lago do Monjolo. Ou seja os 2.580 metros de galerias de água pluvial que despejam água extra no lago do Monjolo. Os dois mil e quinhentos e 80 metros de galerias é um investimento de R$ 1.2 milhões da Caixa Econômica Federal que, desejo estar errado, garantirã fururas inundações no bairro Monjolo, tipo aquelas que acontecem na Avenida JK. Graças a isso Foz do Iguaçu fez o milagre de criar futuras inundações e alagamentos. Confiando nos 2.580 metros de galerias, o bairro entrou contudo na atividade de venda de terrenos. Terreos bem importantes para segurar água ao redor do lago, serão aterrados. Como diz a placa o lago é também uma bacia de contenção. 
A palavra "também" deve ser notada. Outros usos do lago como lazer da população, observação de aves parecem não merecer atenção dos criadores de alagamento do futuro.     

Terrenos para venda pipocam


A barca: dissipação de energia e contenção de alagamentos 

A culpa é sua